Integrante do MAB é assassinado em Aroeiras (PB)

A luta pela terra fez mais uma vítima nesta semana. Odilon Bernardo da Silva Filho foi morto com tiros de espingarda na noite da última quarta-feira (29), em Aroeiras, município do interior da Paraíba. O trabalhador rural fazia parte do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e lutava junto com mais 470 famílias pelo reassentamento. As famílias perderam as terras há seis anos, quando foi construída a barragem de Acauã.

O irmão de Odilon, Osvaldo da Silva, diz que o Estado brasileiro está sendo omisso com as injustiças ocorridas no campo.

“Faz sete anos que o Estado não devolveu o que a gente tinha antes, e agora a Paraíba vive isso: ameaças de morte. Disseram que se o acampamento continuar vão dizimar as lideranças do MAB na Paraíba.”

Antigamente, a região de Aroeiras era habitada por mais de 800 famílias que viviam da agricultura. A instalação da barragem deslocou as famílias rurais para as cidades.

Osvaldo conta que a indenização oferecida foi incapaz de manter as famílias no campo.

“A indenização que foi feita foi vergonhosa. Teve quem recebesse R$ 500, outras receberam R$ 1 mil. Para mim, deveria ter sido feito o reassentamento do povo, mas fizeram uma favela rural.”

O clima de tensão continua na Paraíba. As lideranças do MAB sofrem constantes ameaças de morte. Ainda não se tem informações sobre quem teria cometido o crime.


Fonte: www.mabnacional.org.br

Mais um episódio de violência no campo

Na semana passada, a luta pela terra teve mais um episódio de violência. Odilon Bernardo da Silva, integrante do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) foi assassinado com tiros de espingarda, em frente a sua casa, no município de Aroeiras (PB). Ainda não se tem informações sobre quem teria cometido o crime.

As lideranças do MAB sofrem constantes ameaças de morte na região. Recentemente, os atingidos estiveram acampados em uma fazenda, reivindicando a revisão das indenizações pagas e condições que lhes garantam o modo de vida que possuíam antes da barragem. Após dois meses, eles sofreram ordem de despejo, mas montaram um novo acampamento em seguida, e então começaram a receber ameaças de morte.

Outra região cujos militantes vêm sofrendo ameaças de morte é a de Tucuruí. Em nota, o MAB alertou a sociedade para o fato. “Essas ameaças têm vindo de setores ligados aos grandes interesses econômicos da região, principalmente os da grilagem de terras, do agronegócio, da indústria do carvão e da indústria madeireira, que em sua maioria, desenvolvem atividades ilegais, causando a destruição da Amazônia”, relatou o movimento.

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra de Tucuruí, nos três últimos anos (2006-2009) 14 lideranças rurais foram assassinadas nessa região em decorrência da luta pela terra e denúncia de extração ilegal de madeiras. O último caso foi o assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tucuruí, Raimundo Nonato, em abril desse ano. Até agora nada foi feito para prender os mandantes desse crime.

As ameaças de morte que as lideranças estão sofrendo foram registradas recentemente na delegacia de polícia de Tucuruí. As lideranças ameaçadas são: Roquevan Alves Silva e Dilma Ferreira da Silva, e de forma indireta, outras lideranças também tem sofrido constantes ameaças. Enquanto isso, a justiça tem fechado os olhos para essa realidade, ocasionando um clima muito tenso na região.

Segundo lideranças do MAB, é preciso que os órgãos competentes façam uma investigação séria sobre esses crimes e que se tome uma postura para combatê-los. “Caso contrário, estaremos sendo mais uma vez coniventes com essa triste realidade de violência no campo”, afirmaram.

Apoio e solidariedade
Entidades parceiras e movimentos sociais estão mandando mensagens de solidariedade. Há também entidades de direitos humanos intervindo para levantar os suspeitos e impedir que novos casos aconteçam. Além disso, na última terça-feira, o deputado Luiz Couto (PT-PB) denunciou em Plenário o assassinato de Odilon Bernardo da Silva Filho. "Exigimos a imediata apuração e punição dos responsáveis pelo assassinato do Odilon; exigimos o fim das ameaças e da violência em Itatuba e punição aos agressores; exigimos o reassentamento imediato das famílias atingidas; e exigimos revisão das indenizações", disse o deputado.


Fonte: www.mabnacional.org.br

Carta Final do encontro das CEBs reconhece a luta dos atingidos por barragens

Com o tema “CEBs: Ecologia e Missão” e com o lema “Do Ventre da Terra, o Grito que vem da Amazônia” o XII Intereclesial das CEBs não poderia deixar de pautar a questão dos impactos ambientais e sociais das hidrelétricas do Complexo Madeira. Impactos esses visíveis aos participantes do encontro que se realizou nas margens do Rio Madeira, em Rondônia, entre os dias 21 e 25 de julho.

Numa postura crítica, a carta final do Encontro afirmou que: “Somamos nosso grito ao das populações locais, para que a Amazônia não seja tratada como colônia, de onde se retiram suas riquezas e amazonidades, em favor de interesses alheios (...)”. Segundo Océlio Muniz, da coordenação do MAB em Rondônia, as hidrelétricas do Rio Madeira são um exemplo de saqueio dos bens naturais da Amazônia. “As empresas exploram nossos rios, nossa água e nossa energia e as transformam em mercadoria para benefício de alguns”, afirmou.

Ainda segundo a carta, no dia 22, os participantes realizaram a Caminhada dos Mártires, em direção ao local onde o rio Madeira foi desviado. Celebrou-se Ato Penitencial por todas as agressões contra a natureza e a vida humana, defronte às pedreiras que acolhiam as águas das cachoeiras de Santo Antônio, agora totalmente secas.

Océlio Muniz avaliou o encontro como positivo e produtivo. “Os participantes puderam conhecer melhor a realidade dos atingidos por barragens de Rondônia e também aprender com a experiência do processo de organização das comunidades em função da construção da barragem de Samuel, e agora, as do Complexo Madeira”.

Por fim, a carta final sugere um comprometimento das comunidades eclesiais de Base com os movimentos sociais, entre eles os de atingidos por barragens: "Comprometemo-nos a fortalecer as lutas dos movimentos sociais populares: (...) as dos atingidos pelas barragens, pelo direito à terra equivalente, restituição de seus meios de sobrevivência perdidos e indenização por suas benfeitorias (...)".


Fonte: www.mabnacional.org.br
Foto: Nelly Souza

Carta Aberta dos Jovens e das Jovens das Pastorais das Juventudes do Brasil presentes no 12º Intereclesial das CEBs

É com muita luta, disposição e esperança por um Brasil e um mundo mais humano e ecológico que as Juventudes vêm expressar-se nesse grande encontro.

As vozes jovens da PJB expressam e levantam a marcha contra a violência e extermínio de jovens. As experiências missionárias que tivemos aqui no 12º nos mostrou que o quadro penal de Rondônia hoje é composto por uma grande massa de jovens. Ressalta-se, contudo, que esta é uma realidade de todo Brasil.

Por que nossos jovens estão lá? Qual o contexto social que os leva a isso? O governo vem fazendo algo para resolver essa situação? Qual o nosso papel diante dessa triste realidade? Reduzir a maioridade penal solucionaria o problema? Afirmamos que não!

Diante do assassinato do Pe. Gisley Azevedo, assessor, amigo, companheiro e defensor da vida, em especial, da juventude, reafirmamos nossa bandeira de luta assumida na 15ª Assembléia Nacional das Pastorais das Juventudes do Brasil contra a violência e o extermínio dos jovens, pois acreditamos que a paz é fruto da justiça, como assumidos na CF 2009.

O grito que vem da Amazônia ecoa na mente e no coração da juventude, pois esta entende que a degradação do meio-ambiente reflete diretamente na vida dos povos. A manutenção do modelo econômico vigente não leva em conta a coletividade, a solidariedade e a paz e sim o individualismo, o consumismo exacerbado. Por isso deve ser fortemente combatido, uma vez que este modelo gera a devastação, o desmatamento, as monoculturas, o agronegócio, as grandes mineradoras, as barragens e o desequilíbrio do ecossistema, acelerando o aquecimento global.

A partir dessas reflexões, as Pastorais Juvenis seguindo a Palavra de Deus nos trilhos da Igreja Latino-americana desejam mais uma vez estar em comunhão com as Juventudes quilombolas, ribeirinhas, ameríndias como também com todas as CEBs da America Latina e do Caribe. Neste sentido, propomos que, no próximo encontro Intereclesial, reflitamos os clamores das juventudes com o tema “CEBs em defesa da vida da Juventude”!

“VAMOS JUNTOS GRITAR, GIRAR O MUNDO. CHEGA DE VIOLÊNCIA E EXTERMÍNIO DE JOVENS!”


Amém, axé, awere, aleluia!

Porto Velho-RO, 24 de julho de 2009.

Pastorais das Juventudes do Brasil.

Compromissos assumidos pelos/as participantes do 12º Intereclesial das CEBs

Comprometemo-nos a fortalecer as lutas dos movimentos sociais populares: as dos povos indígenas, pela demarcação e homologação de suas terras e respeito por suas culturas; as dos afro-descendentes, pelo reconhecimento e demarcação das terras quilombolas; as das mulheres, por sua dignidade e igualdade e avanço em suas articulações locais, nacionais e internacionais; as dos ribeirinhos pela legalização de suas posses; as dos atingidos pelas barragens, pelo direito à terra equivalente, restituição de seus meios de sobrevivência perdidos e indenização por suas benfeitorias; as dos sem terra, apoiando-os em suas ocupações e em sua e nossa luta pela reforma agrária, contra o latifúndio e os grileiros; as dos Movimentos Ecológicos, contra a devastação da natureza, pela defesa das águas e dos animais.

Queremos defender e apoiar o movimento FLORESTANIA, no respeito à agrobiodiversidade e aos valores culturais, sociais e ambientais da Amazônia.

Assumimos também o compromisso de respaldar modelos econômicos alternativos na agricultura, na produção de energias limpas e ambientalmente amigáveis; de participar na luta sindical, reforçando a ação dos sindicatos do campo e da cidade, com suas associações e cooperativas e sua luta contra o desemprego, com especial atenção à juventude.

Convocamos a todos nós para o trabalho político de base, para a militância em movimentos sociais e partidos ligados às lutas populares; para participar nas lutas por políticas públicas ligadas à educação, saúde, moradia, transporte, saneamento básico, emprego, reforma agrária e para tomar parte nos conselhos de cidadania, nas pastorais sociais, no movimento pela não redução da maioridade penal, no Grito dos Excluídos, nas iniciativas do 1º. de Maio e das Semanas Sociais.

Comprometemo-nos ainda a fortalecer e multiplicar nossas Comunidades Eclesiais de Base, criando comunidades eclesiais e ecológicas de base nos bairros das cidades e na zona rural, promovendo a educação ambiental em todos os espaços de sua atuação; fortalecendo a formação bíblica; incentivando uma Igreja toda ela ministerial, com ministérios diversificados confiados a leigas e leigos; assumindo seu protagonismo, como sujeitos privilegiados da missão; fortalecendo o diálogo ecumênico e inter-religioso e superando a intolerância religiosa e os preconceitos.


Fonte: www.cebs12.org.br
Foto: Marinalva Lima

10 mil no encerramento do encontro das CEBs

Porto Velho parou neste sábado, 25, para assistir à caminhada de 3 km que marcou o encerramento do 12º Encontro Intereclesial das Comunidades de Base. Uma multidão de 10 mil pessoas tomou conta das ruas da capital de Rondônia em direção ao estádio Aloísio Ferreira, animada por enorme trio elétrico, cantando as canções das CEBs e ouvindo pronunciamentos acerca do maior evento que a Igreja Católica já realizou no estado.

O clima era de animação e alegria, apesar da surpreendente queda de temperatura que deixou a maioria do povo a tremer de frio. No estádio, o arcebispo de Porto de Velho, dom Moacyr Grechi, presidiu a missa, ladeado pelo presidente da CNBB,dom Geraldo Lyrio Rocha, e inúmeros outros bispos e padres.

Na abertura da celebração,um grupo de nove mulheres negras fez a purificação do espaço litúrgico incensando o altar, a cruz e a mesa da palavra. O estádio todo acompanhou em silêncio, numa demonstração de muita fé.

Em sua homilia, dom Moacyr, ao refletir sobre o texto bíblico da multiplicação dos pães proclamado na liturgia, destacou a importância da eucaristia na vida da Igreja e dos fiéis. “Não há fonte de graça comparável à eucaristia”, disse.

Segundo o arcebispo, ao multiplicar os pães, Jesus mostra que veio para satisfazer a necessidade de todos, mas conta com a colaboração humana. “Deus não faz nada sozinho. Quer sempre contar com nossa colaboração. Ele não que uns filhos comam demais e outros passem fome”, acentuou.

Lembrando o tema do encontro das CEBs, Ecologia e Missão, dom Moacyr condenou a destruição da Amazônia e conclamou a todos para defender a maior região do país. “Estamos dispostos, com as armas do evangelho, com doçura e coragem, a fazer tudo pela vida. Queremos uma Amazônia, fonte de vida e não eterna colônia, explorada e não beneficiada”, acrescentou o arcebispo. “Que a Amazônia se torne para todos casa da abundância de vida”, concluiu.

O presidente da CNBB,dom Geraldo Lyrio, agradeceu a dom Moacyr e à arquidiocese de Porto Velho a acolhida do encontro das CEBs. “Este encontro é intereclesial porque uma diocese convida outras dioceses para, juntas, avaliar, aprofundar e celebrar a caminhada das CEBs”, explicou. “Em nome da CNBB, das dioceses aqui representadas e de todos os participantes, digo à Igreja de Porto Velho: muito obrigado pelo 12º Intereclesial das CEBs”, disse.

Já o presidente a Comissão para a Amazônia da CNBB, dom Jayme Chemello, convidou o povo a assumir os compromissos de realizarem a Semana Missionária para a Amazônia, a ser realizada na segunda semana de outubro, e a rezar pelo aumento do número de padres a fim de que não falte eucaristia para as comunidades. “Levem as CEBs da Amazônia para suas paróquias”, pediu dom Jayme.

Símbolo do 13º
Sob os aplausos entusiasmados da multidão, dom Moacyr fez a entrega de um barco com sementes típicas da região aos cearenses como símbolo do 13º Intereclesial que será realizada em 2013, na diocese de Crato (CE).

“Agradecemos a confiança dos regionais e vamos fazer tudo para corresponder”, disse a representante dos cearenses que recebeu o símbolo.


Fonte: www.cebs12.org.br
Foto: Hiara Ruth

"Trem das CEBs" segue de Porto Velho para o Ceará

Com o voto de nove regionais da CNBB, o estado do Ceará foi escolhido para acolher o 13° Encontro Intereclesial das CEBs, em 2013. Além do Ceará (Regional Nordeste 1 da CNBB), São Paulo (Sul 1), com dois votos, e Paraná (Sul 2), com seis votos, concorreram para sediar o próximo intereclesial.

O anúncio do Ceará como sede do 13° Intereclesial foi recebido com muita festa pelos nordestinos e demais participantes do encontro. Crato será a diocese anfitriã.

Às 15h (horário local), terá início a caminhada dos participantes do encontro em direção ao Estádio Aloísio Ferreira onde haverá a missa de encerramento. Durante a missa, os 17 regionais da CNBB apresentarão os compromissos assumidos neste encontro.

Abaixo o vídeo do momento da escolha do Ceará como o próximo local que irá acontecer o próximo Intereclesial:




Fonte: www.cebs12.org.br

Carta Final do 12º Intereclesial às Comunidades

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu ... Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados...” (Mt 5, 3.6)

1. Nós, participantes do XII Intereclesial das CEBs, daqui das margens do Rio Madeira, no coração da Amazônia, saudamos com afeto as irmãs e irmãos de todos os cantos do Brasil e dos demais países do continente, que sonham conosco com novos céus e nova terra, num jeito novo de ser igreja, de atuar em sociedade e de cuidar respeitosa e amorosamente de toda a criação!

2. Fomos convocados de 21 a 25 de julho de 2009, pelo Espírito e pela Igreja irmã de Porto Velho/RO, para nos debruçar sobre o tema que nos guiou por toda a preparação do Intereclesial em nossas comunidades e regionais:
“CEBs: Ecologia e Missão – Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia”.

Acolhendo as delegações e celebrando os povos da Amazônia

3. Encheu-nos de entusiasmo ver chegando, depois de dois, três e até cinco dias de viagem os delegados, em sua maioria de ônibus fretados, ou ainda em barcos e aviões. Em muitos ônibus, vieram acompanhados de seus bispos e encontraram, ao longo do caminho, acolhida festiva e refrigério em paradas nas dioceses de Rondonópolis, Cuiabá e Cáceres no Mato Grosso, Jataí em Goiás, Uberlândia em Minas Gerais e, entrando em Rondônia, nas comunidades de Vilhena, Pimenta Bueno, Cacoal, Presidente Médici, Ji-Paraná, Ouro Preto e Jaru. Apresentamos carinhoso agradecimento pela fraterna e generosa acolhida de todas as delegações pelas famílias, comunidades e paróquias de Porto Velho, o infatigável trabalho e dedicação do Secretariado e das equipes de serviço, em que se destacaram tantos jovens.

4. Somos 3.010 delegados, aos quais se somam convidados, equipes de serviço, imprensa e famílias que acolhem os participantes, ultrapassando cinco mil pessoas envolvidas neste Intereclesial. Dos delegados de quase todas as 272 dioceses do Brasil, 2.174 são leigos, sendo 1.234 mulheres e 940 homens; 197 religiosas, 41 religiosos irmãos, 331 presbíteros e 56 bispos, dentre os quais um da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, além de pastores, pastoras e fiéis dessa Igreja, da Igreja Metodista, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e da Igreja Unida de Cristo do Japão. O caráter pluriétnico, pluricultural e plurilinguístico de nossa Assembléia encontra-se espelhado no rosto das 38 nações indígenas aqui presentes e no de irmãos e irmãs de nove países da América Latina e do Caribe, de cinco da Europa, de um da África, de outro da Ásia e da América do Norte. Queremos ressaltar a presença marcante da juventude de todo o Brasil por meio de suas várias organizações.

5. “Sejam benvindos/as nesta terra de muitos rios, igarapés e de muitas matas, onde está a Arquidiocese de Porto Velho, que se faz hoje a Casa das Comunidades Eclesiais de Base”. Assim, fomos recebidos, na celebração de abertura pela equipe da celebração e por Dom Moacyr Grechi, com muita música e canto, ao cair da noite, ao lado dos trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré que lembra para os trabalhadores, que a construíram e para os indígenas e migrantes nordestinos, o sofrido ciclo da borracha na Amazônia. Foram evocadas ali e, seguidamente nos dias seguintes, as palavras sábias do provérbio africano:
“Gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes,
consegue mudanças extradordinárias”.

6. Pelas mãos de representantes dos povos indígenas, dos quilombolas, seringueiros, ribeirinhos, posseiros e de migrantes do campo e da cidade foram plantadas ao lado do altar, três grandes tochas. Nelas, foram acesas milhares de velas dos participantes, cujas luzes se espalharam pelos degraus da esplanada, enquanto ouvíamos o canto do Cristo dos Seringais:

“Na densa floresta vai um caminheiro
Cristo seringueiro a seringa a cortar... “,
Os versos eram entrecortados pelo refrão:
“E vem a esperança que surja a bonança,
Não seja explorado o suor na balança”.
“E vem a esperança que surja a mudança
E o homem refaça com Deus a aliança”.

7. Com o apito da sirene da Madeira-Mamoré, o trem das CEBs retomou sua caminhada, reunindo-se no dia seguinte, na grande plenária do PORTO, aclamado pela Assembléia, “PORTO DOM HELDER CAMARA”, pelo centenário do seu nascimento (1909-2009) e em resgate de sua profética atuação. Iniciamos esse primeiro dia, dedicado ao VER, partindo do grito profético da terra e dos povos da Amazônia, símbolos da humanidade, na sua rica diversidade, deixando-nos guiar na celebração pelo som dos maracás, tambores e flautas e pela dança de louvor a Deus de nossos irmãos e irmãs indígenas. Dali, partimos para os locais dos mini-plenários de 250 participantes, nas paróquias e escolas. Eles levavam os nomes de doze RIOS da bacia amazônica: Madeira, Juruá, Purus, Oiapoque, Guamá, Tocantins, Tapajós, Itacaiunas, Guaporé, Gurupi, Araguaia e Jari.

8. Divididos nos Rios em 12 CANOAS, com duas dezenas de participantes cada uma, partilhamos as experiências, gritos e lutas das comunidades em relação à nossa Casa comum, a partir do bioma amazônico e dos outros biomas do Brasil (cerrado, caatinga, pantanal, pampas,mata atlântica e manguezais da zona costeira), da América Latina e do Caribe. Vimos nossa Casa ameaçada pelo desmatamento, com o avanço da pecuária, das plantações de soja, cana, eucalipto e outras monoculturas, sobre áreas de florestas; pela ação predatória de madeireiras, pelas queimadas, poluição e envenenamento das águas, peixes e humanos pelo mercúrio dos garimpos, pelos rejeitos das mineradoras e pelo lixo nas cidades. Encontra-se ameaçada também pelo crescente tráfico de drogas, de mulheres e crianças e pelo extermínio de jovens provocado pela violência urbana.

9. Somamos nosso grito ao das populações locais, para que a Amazônia não seja tratada como colônia, de onde se retiram suas riquezas e amazonidades, em favor de interesses alheios, mas que seja vista em pé de igualdade, no concerto das grandes regiões irmãs, com sua contribuição específica em favor da vida dos povos, em especial de seus 23 milhões de habitantes, para que tenham o suficiente para viver com dignidade.

10. Fazemos um apelo para que os governantes sejam sensíveis ao grito que brota do ventre da Terra e, pautados por uma ética do cuidado, adotem uma política de contenção de projetos que agridem a Amazônia e seus povos da floresta, quilombolas, ribeirinhos, migrantes do campo e da cidade, numa perspectiva que efetivamente inclua os amazônidas, como colaboradores verdadeiros na definição dos rumos da Amazônia.

11. Tomamos consciência também de nossas responsabilidades em relação ao reto uso da água, da terra, do solo urbano e à superação do consumismo, respondendo ao apelo, para que todos vivamos do necessário, para que ninguém passe necessidade.

12. Constatamos, com alegria, a multiplicação de iniciativas em favor do meio ambiente, como a de humildes catadores de material reciclável, no meio urbano, tornando-se profetas da ecologia e as de economia solidária, agricultura orgânica e ecológica. Saudamos os muitos sinais de uma “Terra sem males”, fazendo-nos crescer na esperança de que “outro mundo é possível, necessário e urgente”.

13. De tarde, realizamos a Caminhada dos Mártires, em direção ao local onde o rio Madeira foi desviado e em cujo leito seco, ao som dos estampidos das rochas dinamitadas, está sendo concretada a barragem da hidroelétrica. Celebrou-se ali Ato Penitencial por todas as agressões contra a natureza e a vida humana. Defronte às pedreiras que acolhiam as águas das cachoeiras de Santo Antônio, agora totalmente secas, ao lado da primeira capela construída na região, foram proclamadas as Bem-aventuranças evangélicas (Mt 5, 1-12), sinal da teimosa esperança dos pequenos, os preferidos de Deus.

14. No segundo dia, prosseguimos com o VER, com uma pincelada sobre a conjuntura atual na esfera sócio-política e econômica, apresentada por Pedro Ribeiro de Oliveira, na perspectiva das mulheres, por Julieta Amaral da Costa e do ponto de vista ecológico, por Leonardo Boff. Atendendo ao convite de Jesus: “Vinde e vede” (Jo, 1, 39), após a pergunta dos discípulos, “Mestre, onde moras?” (Jo 1, 38), partimos em grupos, em visita às muitas realidades locais: populações indígenas, comunidades afro-descendentes, ribeirinhas, extrativistas, grupos vivendo em assentamentos rurais ou em áreas de ocupação urbana; bairros da periferia; hospitais, prisões, casas de recuperação de pessoas com dependência química e ainda a trabalhos com menores ou pessoas com deficiência. O retorno foi rico na partilha de experiências, nas quais descobrimos sinais de vida nova. Reiteramos que os projetos dos grandes, principalmente as barragens das usinas hidroelétricas,as usinas nucleares geradoras de lixo atômico que põe em risco a população local, são projetos do capital transnacional que não favorecem os pequenos. Apoiados na sabedoria milenar dos povos indígenas, nos animamos a repetir com eles: “Nunca deixaremos de ser o que somos”. Nós, como CEBs no meio dos simples e pequenos, reafirmamos nossa teimosa opção pelos pobres e pelos jovens, proclamada há trinta anos em Puebla, resistindo e lutando para superar nossas dificuldades, sustentados pela fé no Deus que se revelou a nós como Trindade, a melhor comunidade.

15. No terceiro dia, as celebrações da manhã aconteceram nos rios, resgatando memórias da espiritualidade dos povos da região e das experiências colhidas no caminho missionário percorrido no dia anterior, nas visitas às muitas realidades eclesiais e sociais de Rondônia. A oração foi alentada pela promessa do Êxodo: “Decidi vos libertar... vos farei subir dessa terra para uma terra fértil e espaçosa, terra, onde corre leite e mel” (Ex. 3, 8). Em cada canoa, os relatos iam revelando uma igreja preocupada com a justiça social e a defesa da vida nos testemunhos de gente simples em todos aqueles lugares visitados. Esses relatos aqueceram nosso coração e nos desafiaram a perseverar na caminhada das CEBs.

16. À tarde, fomos tocados por vários testemunhos. Em primeiro lugar, pela sentida oração dos Xerente do Tocantins que celebraram seu ritual pelos mortos, homenageando o amigo e missionário, Pe. Gunter Kroemer. Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba, retomou em sua história a trajetória dos negros no Brasil, suas dores, resistências e esperanças de um mundo melhor, nos seus Quilombos da liberdade. Marina Silva, senadora pelo Acre e ex-ministra do Meio Ambiente, contou sua eu caminhada de menina analfabeta do seringal para a cidade de Rio Branco e de lá para São Paulo, mas principalmente sua incessante busca, a partir da fé herdada de sua avó, alimentada pela experiência das CEBs, da leitura da Palavra de Deus e pelo exemplo de Chico Mendes, de bem viver e de colocar-se publicamente a serviço, em favor do povo amazônida. Por fim, depois da apresentação de Dom Tomás Balduíno, em que ele ressaltou o papel de Dom Pedro Casaldáliga da Prelazia de São Félix do Araguaia na fundação, junto com outros, do CIMI, da CPT e de Pastorais Sociais, acompanhamos pelo vídeo seu testemunho e nos emocionamos com suas palavras de esperança e confiança em Jesus e na utopia do seu Reinado.

17. Neste dia, ocorreu também o encontro da Pastoral da Juventude de todo o Brasil e outro também muito significativo entre bispos, assessores e Ampliada Nacional das CEBs. Momento fecundo do estreitamento de laços e abertura a novos passos em nossa caminhada, em que foi expressa a alegria e alento trazidos pela presença significativa de tantos bispos. Desse encontro, os bispos presentes resolveram enviar sua palavra às comunidades:

Palavras dos Bispos às CEBs

18. “Os 56 bispos participantes do Intereclesial, reunidos na sexta-feira à noite com os assessores e os membros da Ampliada Nacional das CEBs, avaliaram muito positivamente o Intereclesial, destacando especialmente a seriedade e o empenho dos participantes no debate da temática do encontro, a espiritualidade expressa nas bonitas celebrações diárias nos “rios”, o clima sereno e fraterno e o grande envolvimento das comunidades das dioceses do regional Noroeste da CNBB na organização e realização do encontro.

A presença de 331 padres que participam do Intereclesial, levo os bispos a exprimirem o desejo de que, neste ano sacerdotal, todos os padres do Brasil renovem o compromisso de acompanhar as CEBs, empenhadas em testemunhar os valores do Reino, como discípulas e missionárias.

Constatando que, a partir da Conferência de Aparecida, as CEBs ganharam reconhecimento e novo alento em todo o continente, os bispos tiveram também palavras de apoio e incentivo para a continuação da caminhada das comunidades no Brasil, reforçadas pelo presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha.

Diante da agressão continuada da Amazônia, juntamente com todos os participantes do encontro, manifestam sua preocupação com a construção da barragem de Santo Antônio e Jirau no Rio Madeira, os projetos de outras barragens no Xingu, Tapajós, Araguaia e noutros rios e a continuada devastação da floresta pelo avanço da pecuária, das plantações de soja e cana, e da extração ilegal de madeira”.

Nas diferenças, o mesmo Deus que nos convoca para a Justiça e a Paz

19. Na manhã do último dia, fomos guiados pelo texto do Apocalipse: “O anjo mostrou para mim, um rio de água viva... O rio brotava do trono de Deus e do cordeiro...; de cada lado do rio estão plantadas árvores da vida... suas folhas servem para curar as nações” (Ap 22, 1-2). Bebemos no manancial da fé que nos une a todos e todas, na única família humana, como filhos e filhas da mesma Mãe-Terra, a Pacha-Mama dos povos andinos, a Terra sem Males dos Povos Guarani, na busca, sonho e construção do Reino de Deus anunciado por Jesus.

20. Juntos, representantes das Religiões Indígenas e dos Cultos Afro-brasileiros, de Judeus, Cristãos Ortodoxos, Católicos e Evangélicos, Muçulmanos, de mulheres e homens de boa vontade e de todas as crenças, no diálogo e respeito à diversidade da teia da vida, acolhemos os gritos da Amazônia e de todos os biomas e reafirmamos nossa solidariedade e compromisso com a justiça geradora da paz.

21. Caminhamos como povo de Deus que conquista a Terra Prometida e a torna espaço de fartura e fraternura, acolhendo todas as expressões da vida.

22. Comprometemo-nos a fortalecer as lutas dos movimentos sociais populares: as dos povos indígenas, pela demarcação e homologação de suas terras e respeito por suas culturas; as dos afro-descendentes, pelo reconhecimento e demarcação das terras quilombolas; as das mulheres, por sua dignidade e igualdade e avanço em suas articulações locais, nacionais e internacionais; as dos ribeirinhos pela legalização de suas posses; as dos atingidos pelas barragens, pelo direito à terra equivalente, restituição de seus meios de sobrevivência perdidos e indenização por suas benfeitorias; as dos sem terra, apoiando-os em suas ocupações e em sua e nossa luta pela reforma agrária, contra o latifúndio e os grileiros; as dos Movimentos Ecológicos, contra a devastação da natureza, pela defesa das águas e dos animais.

23. Queremos defender e apoiar o movimento FLORESTANIA, no respeito à agrobiodiversidade e aos valores culturais, sociais e ambientais da Amazônia.

24. Assumimos também o compromisso de respaldar modelos econômicos alternativos na agricultura, na produção de energias limpas e ambientalmente amigáveis; de participar na luta sindical, reforçando a ação dos sindicatos do campo e da cidade, com suas associações e cooperativas e sua luta contra o desemprego, com especial atenção à juventude.

25. Convocamos a todos nós para o trabalho político de base, para a militância em movimentos sociais e partidos ligados às lutas populares; para participar nas lutas por políticas públicas ligadas à educação, saúde, moradia, transporte, saneamento básico, emprego, reforma agrária e para tomar parte nos conselhos de cidadania, nas pastorais sociais, no movimento pela não redução da maioridade penal, no Grito dos Excluídos, nas iniciativas do 1º. de Maio e das Semanas Sociais.

25. Comprometemo-nos ainda a fortalecer e multiplicar nossas Comunidades Eclesiais de Base, criando comunidades eclesiais e ecológicas de base nos bairros das cidades e na zona rural, promovendo a educação ambiental em todos os espaços de sua atuação; fortalecendo a formação bíblica; incentivando uma Igreja toda ela ministerial, com ministérios diversificados confiados a leigas e leigos; assumindo seu protagonismo, como sujeitos privilegiados da missão; fortalecendo o diálogo ecumênico e inter-religioso e superando a intolerância religiosa e os preconceitos.

26. Queremos, a partir das CEBs, repensar a pastoral urbana, como um dos grandes desafios eclesiais, assumir o testemunho e a memória dos nossos mártires e empenhar-nos na Missão Continental proposta pela V Conferência do Episcopado Latino-americano e Caribenho, em Aparecida.

Rumo ao XIII Intereclesial no Ceará

27. Acompanhados pelas comunidades e famílias que nos receberam e caravanas de todo o Regional, celebramos a Eucaristia, presença sempre viva do Crucificado/Ressuscitado, comprometendo-nos com todos os crucificados de nossa sociedade, com suas lutas por libertação, para construirmos outro mundo possível, como testemunhas da Páscoa do Senhor, acompanhados pela proteção e benção da Mãe de Deus, celebrada no Círio de Nazaré e invocada na região amazônica, com outros tantos nomes; no Brasil, com o título de Aparecida, e na nossa América, com o de Virgem de Guadalupe.

28. Escolhida a Igreja do Crato, que irá acolher, nas terras do Pe. Cícero, o XIII Intereclesial, recolocamos nos trilhos o trem das CEBs, rumo ao Ceará, enviando a vocês, irmãos e irmãs das comunidades, nosso abraço fraterno, e cheio de revigorada esperança.

AMÉM! AXÉ! AUERE! ALELUIA!


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Ampliada, assessores e bispos exaltam organização do 12º Intereclesial

A equipe ampliada e os assessores do 12º Intereclesial das CEBs se reuniram com os bispos que participam do encontro, nesta sexta-feira, 24, para uma avaliação do evento. Os grupos foram unânimes em ressaltar a estrutura montada pela arquidiocese de Porto Velho para a realização do encontro.

“Queremos parabenizar o secretariado. A preparação e a organização do encontro foram muito boas”, disseram os assessores. “Em matéria de organização, esse encontro foi o máximo, é o que teve mais envolvimento”, disseram os bispos.

A presença dos bispos também foi ressaltada como muito importante para o Intereclesial. Foram 56, inclusive o presidente e o vice-presidente da CNBB. O secretário estava de passagem comprada, mas, de última hora, teve que cancelar a viagem.

“A presença numerosa dos bispos, inclusive a Presidência e os assessores da CNBB, são a confirmação de que as CEBs retomaram o rumo”, avaliaram os membros da Equipe Ampliada. “O intereclesial é uma grande assembleia que faz perceber como anda a Igreja no Brasil. Por isso é importante a presença do episcopado neste evento”, acrescentaram.

Os bispos destacaram ainda, como pontos fortes do encontro, a espiritualidade e a qualidade dos delegados no Intereclesial. Ressaltaram, igualmente, o número expressivo de padres (331). Uma sugestão dada pelos bispos é que as CEBs entrem como um dos temas prioritários na próxima assembleia. A proposta será levada ao Conselho Permanente, que é quem aprova a pauta da Assembleia Geral da CNBB.

Os bispos entendem que é necessário dar mais visibilidade ao que foi discutido no Intereclesial. “Este encontro é sui generis por estar na Amazônia. Isso deveria repercutir. Devemos repudiar a hidrelétrica, que está sendo construída aqui, e também a privatização da Amazônia”, avaliaram os bispos.

Na opinião de todos os três grupos, a Conferência de Aparecida contribuiu muito para o êxito do Intereclesial por ter confirmado as CEBs. “A partir da Conferência de Aparecida, há uma valorização maior das CEBs”, disseram os membros da Ampliada.

“Esse é um momento de graça para toda a Igreja do Brasil, não só para as CEBS”, disse o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha. “A presença da Presidência da CNBB no Intereclesial expressa o que estamos vivendo na Conferência dos Bispos em relação às CEBs”, acentuou.

Dom Geraldo lembrou que o 12º Intereclesial consta nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e no Projeto Nacional de Evangelização – O Brasil na Missão Continental. “Isso é muito importante porque é o reconhecimento da Assembleia dos bispos do valor das CEBs”, disse o presidente.

Os assessores apresentaram, como sugestão, uma agenda com cinco pontos. Em primeiro lugar a necessidade de formação dos leigos e seminaristas para atuarem nas CEBs. Os assessores sugerem também repensar a metodologia do Intereclesial e investir no fortalecimento das CEBs a partir dos Regionais. Outra proposta é que a CNBB realize um seminário sobre as Comunidades de Base e que haja uma Campanha da Fraternidade sobre o modelo energético.

O encontro termina amanhã, com a missa às 17h (horário local) no Estádio Aluísio Ferreira. A celebração será precedida por uma caminhada que começará às 15h. Pela manhã, haverá a celebração inter-religiosa pela paz e a aprovação e leitura da carta compromisso do Intereclesial.


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Lideres de diversas religiões rezam e assumem compromissos pela paz no Intereclesial

O último dia do 12º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que acontece em Porto Velho desde o dia 21, começou com um apelo pela paz, feito por líderes de oito religiões. Os religiosos assumiram o compromisso de lutar pela paz.

“O grito que vem da Amazônia só será ouvido se as religiões se derem as mãos”, afirmou o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Geraldo Lyrio Rocha, representante da Igreja Católica. “Chega de divisão, de preconceito e de guerras por motivos religiosos. Chega de ódio por projeção distorcida da verdade que liberta”, disse.

Dom Geraldo concluiu lembrando o papa João XXIII ao afirmar que o caminho da paz passa pela busca da liberdade, da verdade, da justiça e do amor. “A guerra não pode ser motivada pelas religiões”, concluiu o presidente.

O mulçumano Mohamad Zaglout apontou a discriminação das religiões como empecilho à paz. “Todas as religiões possuem a mesma mensagem: paz amor e submissão ao Deus único”, considerou. Na sua opinião, conhecer a religião do outro ajuda a construir a paz. “É preciso buscar conhecer não só a própria religião, mas também a do outro, sem discutir princípios.

Para os indígenas, a paz significa o respeito ao direito dos povos indígenas, especialmente, o da demarcação de suas terras. “A paz que nós indígenas queremos é que todas as terras indígenas sejam demarcadas”, disse a líder Osana.

“Deus, que cuida da criação, pode ser encontrado em todas as religiões”, disse o pastor luterano, Alan Shulz, representante do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil.

Participaram ainda da celebração pela paz um representante do Centro Judaico de Rondônia, José Elarrat; um representante da Igreja Ortodoxa, Mikhael Esber; um representante da Nação Ketu e Babalorixá, Hilton da Veiga Monteiro,e um representante da Igreja Unida do Japão.

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CEBs recordam mártires da caminhada

O sol forte e o calor de mais de 30 graus não foram empecilho para a “Caminhada dos Mártires” realizada pelo Intereclesial de CEBs, na tarde desta quarta-feira, 22, em Porto Velho (RO). Participaram da manifestação mais de três mil pessoas empunhando faixas e cartazes com fotos e nomes de lideranças assassinadas por causa de seu engajamento nas lutas populares.

Sentados de frente para o rio Madeira, a multidão pode contemplar as obras da usina hidrelétrica Santo Antônio, que mereceram veementes protestos dos peregrinos. Do alto de uma pedra, lembrando uma das passagens mais famosas do evangelho, o sermão da montanha, um jovem proclamou texto bíblico que relata as bem-aventuranças. A multidão ouviu atenta e repetiu cada bem-aventurança que ecoava no silêncio da noite que chegava.

O vice-presidente da CNBB, dom Luiz Soares Vieira, destacou que a felicidade pregada por Jesus não está na riqueza ou no poder, mas “na pobreza e na mansidão”.

Numa referência clara às hidrelétricas e outras obras previstas para a Amazônia, dom Luiz ressaltou que o desenvolvimento é bem-vindo, desde que respeite o ambiente. “Deus nos livre de um mundo feio em que não haja mais peixes, pássaros, árvores, animais, homens e mulheres”, disse o arcebispo. “É impossível acreditarmos em Deus se não estivermos de bem com os irmãos e com a natureza. O ambiente é nossa casa e fazemos parte dele. No momento em que matarmos a natureza, estamos matando a nós mesmos”, afirmou.

A emoção tomou conta do povo quando foram lembrados os nomes de lideranças assassinadas por causa de seu trabalho junto aos pobres. “Não queremos mais mártires, queremos nossa gente em pé”, gritou um padre vindo do Pará, mostrando, num vidro, terra misturada com o sangue da Irmã Dorothy Stang, assassinada em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu (PA). “Dorothy vive!”, gritou alguém. “Sempre, sempre, sempre”, respondeu em coro o povo. “A terra, não é propriedade de ninguém, é parte de nós”, disse outro, seguido também por todos.

Durante o Intereclesial temas ligados à terra, ao desenvolvimento, à preservação do meio ambiente aparecem de maneira muito forte, lembrando, especialmente, a realidade da Amazônia. Nos trabalhos da tarde de ontem, discutiram-se também os desafios enfrentados na preservação de outros biomas brasileiros e latino-americanos. O Intereclesial termina no sábado, 25, com um missa às 17h.


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Divididos em grupos, delegações do Intereclesial refletem sobre questões da Amazônia

Na tarde de ontem, 22, a programação do 12º Intereclesial reservou boa parte do tempo para os trabalhos em grupo, em diversas escolas espalhadas por Porto Velho. Estes grandes grupos compostos de aproximadamente 250 pessoas cada são denominados “Rios” (fazendo menção aos grandes rios que cortam o norte do Brasil).

Na escola Dom Bosco, no centro de Porto Velho, acolheu o “Rio” Tapajós. A maior parte do debate girou em torno do tema das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) na preservação e luta pela não destruição da Amazônia. O um dos participantes foi o teólogo e autor de mais de 70 obras, Leonardo Boff.

Leonardo refletiu sobre o tema e respondeu diversas dúvidas e questionamentos a cerca do tema proposto. De acordo com o teólogo, as CEBs na Amazônia deveriam se chamar Comunidades Ecológicas de Base, e explica afirmando que “as CEBs na região amazônica, dentro de sua vivencia de fé, evangelização, catequese, cuidado com os jovens, mas também incluir com algo essencial, o cuidado com a natureza, o cuidado com as águas, com a biodiversidade”. E continuou explicando que as CEBs, em especial nesta região, têm um trabalho muito importante, e cita Chico Mendes como o grande estandarte desta mobilização pró-Amazônia.

Boff cita em muitas partes de sua palestra o Documento de Aparecida como sendo revitalizador das Comunidades Eclesiais de Base. “Ele [o Documento de Aparecida] resgatou, de certo esquecimento, as CEBs. As comunidades Eclesiais são uma potencia da Igreja. Dão autonomia aos mais desfavorecidos de nossa sociedade. Levam aos cidadãos a mais importante libertação, a intelectual. As CEBs criaram cristãos novos, ativos, participativos dentro da Igreja, mas sem dúvida nenhuma, o maior trabalho foi no desenvolvimento da consciência, criando cidadão pensantes que tanto o nosso país precisa”, exclamou.

Leonardo Boff elogia o trabalho em grupo afirmando ter aprendido muito mais no “Rio Tapajós” do que em muitos grupos de reflexões em que participou pelo mundo, porque de acordo com Boff: “Aqui, no 12º Intereclesial não se fala apenas palavras, mas se falam coisas, o que é mais importante do que palavras”.


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CEBs buscam a juventude e o diálogo ecumênico

Ecumenismo, juventude e missão. Três pontos fundamentais para o fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base e principalmente para a jornada de trabalho em defesa da vida, da ecologia e da fé. No segundo dia de coletivas de imprensa do 12º Intereclesial os convidados abordaram estes temas como alternativas para a criação de um novo modo de ver e agir dentro da sociedade.

Cláudio Ribeiro (pastor metodista), Dom Antônio Possamai (vice-presidente da Comissão da Amazônia da CNBB) e Leila Regina (assessora do Regional Leste 2) falaram da experiência de atuar nas CEBs e de como praticar a acolhida do ecumenismo e ouvir a juventude.

Leila Regina, que atua em Minas Gerais e faz parte do movimento de juventude, destacou que é preciso saber ouvir os anseios e questionamentos dos jovens para construir um novo mundo. “Nossa missão é criar novas lideranças e renovar as ações na CEBs. É preciso educar para a vivência da fé e da luta por dias melhores e uma sociedade mais justa”, comentou.

Já dom Antônio, ao falar desta criação de novas lideranças, lembrou que as comunidades eclesiais foram sufocadas e perseguidas pelo regime militar no Brasil. “Agora é preciso educar os jovens a pensar criticamente, a ter uma visão de mundo globalizada e voltada para a defesa dos interesses sociais, pois hoje uma multidão de pessoas se organiza em volta de pensamentos consumistas e que em nada contribuem para o resgate do social”, destacou.

Já o pastor Cláudio Ribeiro falou da experiência do ecumenismo nas CEBs. Ele acredita que não há como agir e vencer desafios de forma isolada ou excludente. “As CEBs são voltadas para o social e neste campo precisamos de união. É preciso voltar as primeiras comunidades criadas no Brasil, que fundamentalmente eram ecumênicas e mesmo com várias religiões diferentes os resultados surgiam de forma impressionante. “A realidade que vivemos exige esta participação pluralista e aberta a receber a colaboração de todos. Os desafios são imensos e cada força será essencial nesta batalha por justiça social”, defendeu.

A missão de atuação das CEBs é baseada no modelo de vida em defesa da fé e da preservação da ecologia como ponto fundamental para a Amazônia. Dom Antônio destacou que o sistema de governo incentivou a migração para esta região como se aqui não houvesse povos integrados ao meio ambiente.

“Após a invasão da soja no sul e eucalipto no sudeste, o governo iniciou a dita ocupação e promoveu a derrubada da floresta amazônica. Em Rondônia, o modelo de posse da terra criou um imenso vazio no meio da mata”, lembrou dom Antônio.

A Amazônia ocupada e devastada sempre contou com líderes formados nas Comunidades Eclesiais de Base e sua atuação firme e comprometida evitou muitos danos a esta região. “Se a atuação do povo da igreja não é vista de forma explícita, é sentida de maneira concreta na certeza de que se não fossem os gritos e lutas, este cenário seria muito pior”, completou.

O papel das CEBs tem sido debatido durante este 12º Intereclesial e entre os pontos fundamentais está a defesa da vida, da fé e da ecologia. A juventude se apresenta como arma essencial para vencer desafios, aliado à experiência de líderes que na década de 60 pensaram na luta por um mundo melhor.


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CEBs rezam com os povos indígenas

Os três mil participantes do 12º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) lotaram o ginásio do SESI, em Porto Velho, na manhã desta quarta-feira, 22, para a oração da manhã que abriu o primeiro dia de atividades do evento. Conduzida pelos indígenas Guarani, do Mato Grosso do Sul, a oração foi acompanhada com atenção e fé pelo público.

“O que fizemos aqui, não foi um momento cultural, mas um ato de respeito e de espiritualidade, com Deus, no Espírito Santo”, disse, ao final da oração, o cacique da aldeia Tupã, no rio Tapajós, Flávio Silvio Rodrigues.

“Estamos aqui, indígenas da Amazônia, para dar testemunho de que também nós somos pessoas humanas”, afirmou o cacique, que condenou a perseguição contra indígenas e outros povos da Amazônia. “Sempre fomos perseguidos por causa de nossas terras. É dela que sobrevivemos. Sem nossa mãe terra, não podemos viver!”, protestou.

Muito aplaudido, Rodrigues deixou um forte testemunho da crença dos povos indígenas. “Vocês não estão aqui por acaso, mas vieram buscar vida. Só com Deus podemos viver. Nosso ritual foi neste sentido. Vamos levar o apoio de nosso pai Tupã a todos os povos”, concluiu.

Programação: Terminada a oração, os participantes do Intereclesial foram divididos em 12 grupos de 250 pessoas cada um. Os grupos passarão a tarde reunidos nas escolas da cidade debatendo o tema do dia: “Grito profético da terra e dos povos da Amazônia, símbolos da humanidade”.

Cada grupo é acompanhado por uma equipe de assessores que fazem introdução ao tema e subdivide o grupo em 12 pequenos grupos para aprofundamento das questões. A partir das 15h (16h horário de Brasília), haverá plenária com a apresentação dos trabalhos feitos nos pequenos grupos.

Às 16h (horário local) todos os participantes do Intereclesial se encontrarão para dar início a "Caminhada dos mártires", que seguirá para a capela Santo Antônio, onde haverá também uma celebração penitencial. Nesta comunidade, está sendo construída a usina hidrelétrica Santo Antônio.


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Fé e alegria na celebração de abertura do 12º Encontro Intereclesial de CEBs em Porto Velho/RO

“Como irmãos e irmãs, unindo nossa voz ao grito da terra e das águas, no sopro do Espírito, declaramos aberto o 12º Intereclesial”.

Foi com estas palavras, sob o aplauso entusiasmado de uma multidão, que o arcebispo de Porto Velho (RO), dom Moacyr Grechi, declarou, solenemente, aberto o 12º Encontro Intereclesial das CEBs, maior encontro das Comunidades Eclesiais de Base que a Igreja Católica realiza no Brasil desde 1975.

A cerimônia de abertura constou de uma celebração realizada na noite desta terça-feira, 21, na praça Madeira Mamoré, na capital de Rondônia, e contou com a presença de mais de 4 mil pessoas. Nem mesmo o cansaço de dias nas estradas até chegar a Porto Velho, inclusive com ônibus quebrando no caminho, tirou o ânimo das lideranças que vieram de todos os estados do país como delegados para o encontro. No altar, indígenas, negros, seringueiros ficaram ao lado de vários bispos.

Dom Moacyr acolheu os participantes e destacou a importância do encontro debater o tema da Amazônia. “Amazônia é sempre, na história, tratada como colônia e vocês dirão a todos que a Amazônia quer ser irmã e ser tratada com dignidade”, disse recebendo a aprovação da assembleia que aplaudiu efusivamente. “Os índios devem ser respeitados, os seringueiros devem ter onde trabalhar, nossa cidade precisa ser humanizada. O grito da Amazônia repercutirá como o grito da esperança”, completou.

Fé e alegria
O ritmo da Amazônia na celebração de abertura do 12º Intereclesial das CEBs deu o tom de como será o encontro que reúne 3 mil pessoas até sábado em Porto Velho. Na assembleia, pessoas vestindo camisetas do Intereclesial, lenços no pescoço, chapéu, mochilas e faixas não pararam de cantar e dançar aguardando o início da oração, marcada também por muita música, dança e símbolos. Tudo levava as pessoas à interiorização e à meditação, mesmo em meio ao ritmo forte de flautas, tambores e outros instrumentos musicais.

Todos se emocionaram, por exemplo, ao ouvir, de velas acesas, um coro de crianças entoar “curupira”. “O dia está escurecendo, será que não vai voltar. Se ele não chegar logo, vou mandar lhe procurar, vou levar uma lamparina pra poder alumiar”, diz o canto.

Outro momento que chamou a atenção do povo foi a benção da água com a qual todos foram aspergidos. Igualmente, a bênção e distribuição de milhares de bombons, produzidos com frutas da região, emocionou a multidão.

“O 12º Encontro das CEBs começou muito bem com esta celebração que foi linda e muito participada. Este encontro é especial não só ser na Amazônia, mas também pelo que exigiu de todos que vieram aqui’, disse o arcebispo emérito da Paraíba, dom José Maria Pires.

“Vim presenciar este evento e gostei da celebração, esta harmonia de vários pensamentos, todos voltados para a mesma fé, em busca de luz e não há luz maior que tenha passado pela terra a não ser Jesus Cristo”, disse Ras Uilivan, de Porto Velho, que não é católico, e diz pertencer ao cristianismo ortodoxo da Etiópia.


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Povos indígenas presentes ao 12º Intereclesial

Mais de 80 representantes dos povos indígenas de tribos, não só da Amazônia como de todo o Brasil, estão presentes ao 12º Intereclesial. Eles começaram a chegar desde a semana passada e estão alojados na Escola Municipal São Miguel, na periferia de Porto Velho.

Homens, mulheres, crianças, com corpos pintados e enfeites na cabeça, representam 38 povos diferentes e falam diversas línguas. Os que não comunicam em suas línguas ou em português se relacionam, através da linguagem do amor e do respeito. Uma sabedoria que exercitam no seu cotidiano, nas matas e nos rios, diante dos animais e das diferentes árvores, onde sempre conviveram em harmonia.

As salas de aula se transformaram em dormitórios, masculinos e femininos, mas as redes, onde a maioria prefere dormir, estão espalhadas pelas varandas e embaixo das árvores – espaço do recreio das crianças da escola.

Esta idéia de reunir os índios num mesmo espaço está sendo coordenada pelo CIMI (Conselho Missionário Indigenista) e já foi experimentada com sucesso durante o Fórum Social Mundial no início do ano, em Belém do Pará.

Na tarde de segunda feira, depois da sesta, os índios receberam um grupo de jornalistas representantes do Porantim, da revista Missões e do Verbo Divino – responsável pelo DVD do 12º Intereclesial. Uma grande roda foi formada no ambiente fresco à sombra de quatro enormes fícus.

Na parede, as faixas ilustravam o objetivo da luta dos nossos indígenas: “Não queremos construções de barragens ou rodovias próximas as nossas terras”, “Preservação sim e desenvolvimento sustentável para as próximas gerações”, “Terra, resistência, luta”.

Uma celebração iniciou com hinos e danças da caminhada e de matriz indígena. Depois as apresentações, o acolhimento com palmas carinhosas, e uma pequena mostra da arte musical de nossos irmãos indígenas: música tocadas com flautas de mais de metro, outras menores feitas com chifre de boi, outras de tamanho médio combinando a longa com a curta, além de som dos tambores a partir de troncos ocos. A celebração terminou com um solo de flauta de madeira semelhante às usadas pelos indígenas da Bolívia e do Peru.

Uma irmã do CIMI explicou que os índios que vivem nas fronteiras com os países latino americanos não reconhecem essas linhas que dividiram seus povos.

Durante todo o Intereclesial esses índios estarão participando das celebrações e dos debates, espalhados pelos 12 diferentes grupos, que receberam nomes dos rios da Amazônia. Ao lado dos quase 300 delegados de todo o Brasil, eles estarão reunidos nas escolas, sob a coordenação de 12 paróquias e igrejas de Porto Velho, para discutir os grandes temas desse encontro: “Cebs, ecologia e missão”. E mostrar com sua própria vida e história de seus povos como “do ventre da terra, pode-se ouvir o grande grito que vem da Amazônia".


Fonte: www.cebs12.org.br

Contagem regressiva para início do Intereclesial

A comunidade católica está em contagem regressiva para o início do 12° Intereclesial que começa na próxima terça-feira (21/07). Nesta sexta-feira, durante entrevista coletiva, o arcebispo de Porto Velho, dom Moacyr Grechi, falou da expectativa de receber este evento grandioso e que vem sendo preparado há quatro anos.

Dom Moacyr destacou o texto base da Campanha da Fraternidade de 2007 em que a Amazônia é colocada como fonte de vida, mas que precisa ser conhecida e cuidada para se tornar uma terra mais justa e digna para os povos que aqui residem.


O arcebispo lembrou que hoje a Amazônia é vista com aspecto folclórico ou puramente econômico. “No restante do país é impressionante o desconhecimento da realidade desta região. Alguns acreditam que aqui temos onças pelas ruas e outros só enxergam as riquezas que podem ser exploradas, como os minérios e a madeira. A realização deste evento servirá também para mostrar que temos um povo trabalhador e cidades com as mesmas condições de outras partes do país”, comentou.

Já o padre Luiz Cepp, coordenador do Secretariado do 12° Intereclesial, falou do tema e do lema. “É preciso conhecer o sentido de ecologia e se posicionar na missão. É um trabalho árduo com o intuito de apresentar propostas positivas para resolver questões que afligem os mais carentes. O Intereclesial será um momento de discutir as problemáticas da sociedade e principalmente, apontar saídas e renovar as esperanças de um mundo melhor”, destacou.

Magda Melo, da coordenação do Intereclesial, falou das ações que envolvem voluntários em toda a Arquidiocese de Porto Velho. “São milhares pessoas trabalhando diariamente por quatro anos para realizar o evento em Porto Velho. Este povo de Deus está pronto para receber com organização e alegria os mais de três mil delegados que chegarão de todas as partes do Brasil, da América Latina e Caribe”, destacou Magda Melo.


Durante o Intereclesial também será apresentada uma proposta de nova consciência e fé para que os povos que atuam nas Comunidades Eclesiais de Base tenham a missão de lutar por um mundo mais justo. “Temos o exemplo dos povos indígenas que resistem ao modo destrutivo de exploração que vem ocorrendo desde a colonização. Além disso, nós precisamos fazer uma análise detalhada das condições de vida na Amazônia e pensar em uma nova forma de ocupação”, completou.

Apesar de ser fundamentalmente uma vivência nascida na Igreja Católica, o Intereclesial tem sido um espaço ecumênico de ações. “Na celebração de encerramento teremos representantes de várias religiões. Já confirmamos a participação de mulçumanos, evangélicos, umbandistas, judeus, budistas e cristãos ortodoxos, para uma grande comunhão em defesa da paz e de um mundo melhor e mais justo para todos”, completou o padre Luiz Cepp.


Fonte: Site do 12º Intereclesial das CEBs - www.cebs12.org.br

Mensagem aos Irmãos e Irmãs no 12º das CEBs em Porto Velho (Zé Vicente)

“... quando se ouvirem os tambores da Amazônia
E as flautas-índias, nas canções do centro-oeste
E as guitarras juvenis em nossas ruas
E os berimbaus nas capoeiras desses morros!
O céu vai clarear, o mar vai ressacar,
A gente vai cantar, vai dançar, vai louvar!
Salve esse tempo de graça, salve essa festa tão linda!
Festas das Comunidades, festa do povo de Deus!”

BENDITA MEMÓRIA!
A você que venha a ler esta mensagem e vai estar em Porto Velho - Rondônia, participando do 12º Inter-eclesial das CEBs, quero em primeiro lugar, abraçar com ternura de menino e pedir que volte a ler acima, as estrofes do canto “Festa das Comunidades” que compus para o 10º encontro de Iheus-BA, em 1992. Nele expresso a alegria de fazer parte dessa Caminhada, desde os 16 anos,quando dei os primeiros passos na minha comunidade rural, no Sítio Aroeiras, na paróquia de Orós, no sertão do Ceará, convocado pelo padre Djalvo Bezerra, de saudosa memória.

Em Canindé, de 05 a 08 de julho de 1983, participei e cantei, pela primeira vez, o “Baião das Comunidades”, era o 5º Inter-eclesial, em tempos de efervescência eclesial, numa primavera de profecia e participação popular. As comunidades, proclamando aos quatro pontos do Brasil o lema: “CEBS,POVO UNIDO,SEMENTES DA NOVA SOCIEDADE”,transformado em Hino,pelo cego e tocador, Patrício, do Maranhão. No campo político, vivíamos ainda sob a ditadura militar, já dando sinais de total esgotamento, mas nem por isso, deixava de patrocinar um clima de tensões e espionagem.

Dom Aloísio Lorscheider era o arcebispo de Fortaleza, a diocese acolhedora. Frei Lucas, ofm, era o pároco em Canindé e com a Equipe local, se desdobrou para hospedar e organizar a festa com os cerca de 600 participantes. Foi o último dos pequenos encontros.

Foram dias de muitas cores, cantos,testemunhos,chapéus e sementes,como símbolos presentes em todos nós, nos espaços em todos os momentos. Até uma pequena estátua de S.Francisco de Assis, o patrono da Cidade e das Romarias, recebeu na cabeça, um chapéu de palha, presente de Pedro Casaldáliga, o bispo profeta de S.Félix do Araguaia,um dos apaixonados pelas CEBs.

Por que estou relembrando esta memória?
É que estou convencido que sem memória não se constrói história, nem pessoal e muito menos de Comunidade e de Igreja. A missão que recebi foi essa de lembrar e cantar, a memória e o sonho, passo a passo,de coração em coração,de lugar em lugar,por todos os recantos do Brasil,onde tive e terei a graça de passar.Vou cantando,sim, a nossa história feita de lutas,martírios,desafios(eu sou um sobrevivente da seca),mas também de muito encanto de fé, esperança e utopia.

Seguirei sempre inquieto, tentando sensibilizar mais e mais gente, para caminhada, onde a Arte, em todas as suas expressões,seja assumida, como Missão e Ministério na Comunidade local, mas também com maior oficialidade nas Pastorais e Organismos de nossa Igreja. Por que não? Creio que a Conferência de Aparecida, sinalizou positivamente nessa direção de ousarmos mais no anúncio da boa nova, as multidões excluídas.

UM SONHO MADURO COM SUAS QUESTÕES:
Sonho, um dia desses, em que a gente possa trazer como tema central para o Inter-eclesial, “A ARTE COMO FONTE DE VIGOR E MISSÃO NA CAMINHADA DAS CEBS”. Não será tempo de uma atenção maior e mais cuidadosa, com essa outra forma de linguagem e seus grandes temas inspiradores?

A teologia, a mística, a eclesiologia, não estão sendo autenticamente comunicadas em toda essa grandiosa enchente de poemas, cantos, danças, peças de teatro, desenhos, símbolos etc. nascidos dos corações simples, apaixonados e amadurecidos no compromisso com a sagrada causa do Reino, anunciado e inaugurado pelo Divino Artista de Nazaré?
Venho me questionando ainda: Por que nós artistas da Caminhada temos sido tão medrosos na missão de arte-vida, quando se trata de juntarmos forças para um Projeto mais comunitário,aquele mesmo ensaiado quando projetamos o MARCA – Movimento de Artistas da Caminhada, dentro do 6º Inter-eclesial, em Trindade,Goiás, no ano de 1986?

Precisamos fazer Escolas de Artes na Caminhada, para sensibilizar, capacitar, produzir, analisar, fazer circular a boa produção, com mais qualidade e investimentos,assim como já avançaram, em cheio, o Grupo de alguns companheiros e companheiras, que criaram o Ofício Divino das Comunidades e a Rede Celebra ou os Movimentos Pentecostais, Evangélicos e Católicos. Como tem ousado o MST, com suas Escolas de Formação com artes e, outras iniciativas ousadas a nível do Movimento Popular.

A quem está favorecendo essa nossa timidez? A vitalidade das Cebs,com certeza, para um novo tempo de missão, a meu ver, não o é. Nem tão pouco a Cultura da vida, da participação cidadã, da nova e urgente opção ambiental e da paz.

Por que algumas das Editoras e Meios de Comunicação confessadamente católicos têm sido tão limitados em oferecerem espaços para expressão do saber e das artes nascidas nos meios populares, nas comunidades?

Precisamos por em Rede, com mais planejamento, o que já vem sendo criado. Onde estão os acervos de nossa memória artística, fotográfica, filmada, pintada... produzida, desde o início da Caminhada? A memória histórica comunitária, não só individual, pois somos muito pessoalistas, está carente de cuidados, assim como o meio ambiente.

Os Mártires, situados (as) na suas comunidades. Os (as) Artistas, missionários (as), pastores, animadores (as), com suas comunidades de vida e testemunhos de entrega ao Reino, não merecem ter seus nomes e suas criações omitidos em nossos livros de cantos e liturgias ou apenas como citações anônimas nos livros de quem teve acesso ao patrimônio da escrita.

Esse é um sonho, meu irmão e minha irmã, não quero que seja apenas visto como queixa, embora seja entre nós mesmos que precisamos nos queixar e reclamar,quando o momento é propício,como este do 12º Inter-eclesial, feito palco e altar para a gente traduzir em palavras e atos de artes, o Grito, que vem e vai, da Amazônia e de todos os recantos e corações das Comunidades Eclesiais de Base e Movimentos Populares nesta Pátria Grande Latino-americana.

PORQUE NÃO ESTOU EM PORTO VELHO:
E quem disse que não estou?...

Em todos os Encontros que participei, no processo de preparação, seja no Nordestão, em S.Luis do Maranhão, no Dozinho, em Porto Velho em 2008, quando tivemos a alegria de um encontro de Artistas da Caminhada, com a visita de D. Moacir e da Rede Celebra e decidimos juntos:

a) que a Equipe de Animação local, com o Zé Martins, continuasse no serviço da animação do 12º, também em nosso nome;

b) decidimos que é urgente e necessário realizarmos Fóruns Periódicos de Artistas, Produtores Culturais e Comunicadores da Caminhada, indicamos até que o primeiro pudesse ser em Brasília, no final de 2009 ou em 2010, cheguei a contatar com Pedro Filho e Daniel Seidel, que comungam com a proposta;

c) assumi, em nome do Grupo de Artistas, apresentar a Paulinas-COMEP, um projeto, com músicas de vários artistas conhecidos e outras(as) mais novos(as), solicitando a retomada daquela produção de Cantos das Comunidades, que tanto bem fez a animação e celebrações da Caminhada. A resposta foi tímida, mas podemos continuar conversando e buscando novos caminhos. É a nossa missão, sobretudo quando nos pomos, como artistas e produtores, numa perspectiva comunitária e ecumênica e não somente individual ao gosto do mercado que impera atualmente.

Neste ano de 2009, vivenciei momentos lindos, sendo os três mais simbólicos, em Marataízes-ES, com as CEBs da Diocese de Cachoeiro do Itapemirim, Estado onde nasceram os inter-eclesiais na década de setenta. Em Cedro-Ce, na minha diocese natal, de Iguatu e na Festa Junina das CEbs, em Manaus-AM, no dia 27 de junho.

Acompanharei em vigília e na Romaria em Santa Cruz da Venerada, diocese de Petrolina, onde estaremos cantando, nos dias 25 e 26 de julho, festejaremos daqui do sertão do nordeste, a nossa comunhão com a celebração final do Interecelsial, nesse coração pulsando alto, desde a Amazônia.

Assim, irmãos e irmãs, com a acolhida e a coordenação pastoral de D.Moacir, com todas as equipes e famílias queridas em Porto Velho, manifesto meu carinho e o canto que o Divino Artista do Universo, me enviou a cantar com todos e todas as artistas da Caminhada: “No olhar a gente a certeza de irmãos,reinado do povo!”

Meu abraço com toda ternura:

Fortaleza- Ceará, 10 de julho de 2009

Zé Vicente
Contato: zvi@uol.com.br


Fonte: Site do 12º Intereclesial das CEBs - www.cebs12.org.br

Estréia Programa Projeto Popular na TV Educativa do Paraná

Estreiou nessa sexta-feira, dia 10, às 22h, o Programa Projeto Popular. A iniciativa é uma parceria do movimento social brasileiro com a TV Educativa do Paraná.

"Projeto Popular" é um programa produzido, elaborado, e conduzido pelos movimentos sociais brasileiros.

Debater os grandes temas da sociedade mundial, latino-americana e brasileira de forma interdisciplinar a partir do movimento social brasileiro com vistas à elaboração de um projeto popular de nação é o objetivo desse programa.

Veja os primeiros programas - às sextas-feiras (22h):

Dia 10 de julho - Antonio Carlos Spis (CMS) – em debate o papel dos movimentos sociais;

Dia 17 de julho - João Pedro Stédile (Via Campesina) – em debate a crise mundial;

Dia 24 de julho - Aldemir Caetano (FUP) – em debate o Pré-Sal;

Dia 31 de julho - Washington Uranga (mov. social argentino) – em debate a integração latino-americana;

Os programas também podem ser vistos pela internet:

http://www.aenoticias.pr.gov.br/tv-aovivo.php

ou

http://www.rtve.pr.gov.br/modules/programacao/tv_ao_vivo.php

Informações:
projetopopular@quemtv.com.br


Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - www.mst.org.br

Nordeste avança na organização da Assembleia Popular

No último fim de semana (10, 11 e 12 de julho), a Escola Estadual de Formação Paulo Freire, no assentamento Normandia, Caruaru-PE, recebeu representantes de organizações sociais de todo Nordeste para o primeiro Encontro da Assembleia Popular Nordeste. Numa iniciativa inédita no país, os movimentos sociais ali presentes definiram a prioridade de se organizarem regionalmente, tanto para formação como para agendas de luta no campo e na cidade.

A Assembleia Popular é uma iniciativa dos movimentos sociais que, no Brasil, existe desde 2005 com o objetivo de organizar, formar e mobilizar a diversidade de lutadores e lutadoras do povo em torno de um Projeto Popular para o Brasil. No Nordeste, a articulação está presente em todos os Estados, em estágios diferentes de organização. Alagoas, por exemplo, ainda está nos primeiros passos dessa construção, enquanto que a Paraíba já aglomera diversas pessoas na luta pela redução da tarifa energética.

Durante a programação, foi discutido a conjuntura do capitalismo no Nordeste, marcado pelo coronelismo (poder local ligado às oligarquias latifundiárias) e pelo atraso em relação a investimentos do Estado brasileiro. Além desse olhar crítico sobre a própria região, os participantes analisaram a conjuntura da crise econômica internacional e seus efeitos sobre a classe trabalhadora. Além disso, a forma como uma unificação poderia servir para combater essas consequencias e aproveitar o momento para massificar o Projeto Popular.

A carta final do encontro aponta para a solução dos desafios de organização ao sugerir a criação de uma secretaria operativa regional e de um coletivo responsável pela articulação em cada um dos Estados. Dentro do cenário de crise, a reunião do maior número de movimentos sociais nas linhas mais diversas de enfrentamento ao capital (ambiental, econômica, habitacional, agrária, entre outras) é estratégico para aqueles que lutam dia-a-dia pelo Poder Popular e pelo socialismo. Mais simbólico ainda, esta articulação inicial acontecer no cenário agrário de Pernambuco, marcado recentemente pela atrocidade da chacina de três assentados e dois pedreiros no assentamento Chico Mendes, em Brejo da Madre de Deus-PE.

A Assembleia Popular Nordeste é um instrumento da chamada esquerda social (aquela capilarizada nos movimentos sociais) e deve ascender as lutas em torno de pautas comuns, que atinjam a população e, por isso, garantam um “poder de convocação” das massas às ruas. Numa articulação que pretende se encontrar com uma freqüência de três meses, a comissão representativa dos Estados deve, a partir de agora, criar as condições para o avanço na formação, organização e lutas no Nordeste. Isso sinaliza para a realização do Curso Realidade Brasileira, que garantiria uma intervenção regionalizada na Assembleia Popular Nacional e o compromisso com a Jornada de Lutas contra o modelo de desenvolvimento em agosto, respectivamente.


Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - www.mst.org.br

Homenagem dos/as jovens no 12º Intereclesial das CEBs ao Pe. Gisley Azevedo

Campanha Contra os Altos Preços da Energia Elétrica - Assembleia Popular

Lutadores e lutadoras do povo!!!!

Amanhã ás 08:30h teremos uma audiência pública com a ANEEL(Agência Nacional de Energia Elétrica) para revisão tarifária extraordinária o que significa que discutiremos os ganhos de produtividade e lucro da energiza nesses últimos 04 anos, que com sabemos não são pequenos. Depois de várias mobilizações contra o aumento de 15,77% nas contas de energia , os movimentos sociais organizados prometem estar presentes nesse audiência para denunciar o abuso e descaso com que a ENERGIZA vem tratando o povo da Paraíba. Os recentes apagões, a mudança de medidores analógicos pelos digitais, contas altíssimas, a 2ª tarifa mais cara do Nordeste, não cumprimento da tarifa social e aposição arrogante do presidente da Energiza Marcelo Rocha são traços da mesma política: é melhor uma energia cara do que uma escuridão barata.

Exigimos das autoridades constituídas que tomem posição sobre o caso, e que comecemos uma ampla campanha pela reestatização da empresa, que volte para ás mãos do Estado e que a redução seja de no mínimo 20% se consideramos as altas taxas de lucro e os aumento abusivos.

Convidamos a todos/as aqueles/as que se sentem insatisfeitos com a ENERGIZA a estarem juntos nesse luta, que dá sinais de ser vitoriosa, mas que dependerá de força , organização e vigilância total daqui pra frente.


ÁGUA E ENERGIA NÃO SÃO MERCADORIAS!
O PREÇO DA LUZ É UM ROUBO!

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SUPERINTENDÊNCIA DE MEDIAÇÃO ADMINISTRATIVA SETORIAL

AVISO

Complemento ao Aviso de Audiência Pública nº. 020/2009, publicado no Diário Oficial da União do dia 05 de junho de 2009, seção 3, página 100.

O SUPERINTENDENTE DE MEDIAÇÃO ADMINISTRATIVA SETORIAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA - ANEEL, no uso da competência que lhe foi atribuída por delegação do DIRETOR-GERAL da ANEEL por meio da Portaria ANEEL n° 109, de 11 de julho de 2005, COMUNICA, em complemento às disposições contidas no supracitado Aviso de Audiência Pública, que:

a Sessão ao Vivo - Presencial da referida Audiência Pública será realizada no dia 16 de julho de 2009, das 08:30 às 12:30, no auditório Álvaro Ferreira Lima, da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (ASPLAN), situado à Rua Rodrigues de Aquino, 267, Centro, João Pessoa/PB.

Agenda da Sessão ao Vivo-Presencial do dia 16/07/2009
Horário Programação

08:30 - 09:00 Recepção e registro de expositores e participantes
09:00 - 09:10 Abertura das atividades pelo Presidente da Sessão ao Vivo-Presencial
da Audiência
09:10 - 09:30 Exposição do tema pela Superintendência de Regulação Econômica - SRE
09:30 - 09:50 Exposição do tema pela Energisa Paraíba Distribuidora de Energia S.A. - EPB
09:50 - 10:10 Exposição do tema pelo Conselho de Consumidores da EPB
10:10 - 12:30 Pronunciamento dos expositores
12:30 Encerramento

MAB realiza 3ª Etapa do Curso de Energia em convênio com a UFRJ

Desde a última sexta-feira (10 de julho), 65 estudantes do MAB e de diversos movimentos sociais de todas as regiões do Brasil, e também da Colômbia, El Salvador e Argentina, estão no Rio de Janeiro para a terceira etapa do curso de extensão e especialização "Energia e sociedade no capitalismo contemporâneo". O curso é realizado em uma parceria entre o MAB e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Os principais objetivos do curso são ampliar o acesso de integrantes de movimentos sociais ao saber científico acadêmico e contribuir para a capacitação desses militantes, aprofundando o conhecimento sobre as relações entre energia, meio ambiente e sociedade no capitalismo contemporâneo. A criação do curso inscreve-se no esforço da UFRJ de se abrir enquanto universidade aos diversos setores sociais e reitera o compromisso com movimentos sociais que lutam pela justiça social e ambiental.

A ênfase desta etapa é a preparação do trabalho de conclusão do curso, onde cada um dos alunos deverá elaborar um artigo sobre algum dos temas que perpassaram o curso. "A 3ª etapa do curso é mais um importante passo no processo de elaboração de um modelo energético popular, não somente para o Brasil, mas para toda a América Latina. Nesse contexto, a parceria entre os movimentos sociais e a universidade propicia grandes avanços, pois ao mesmo tempo em que traz para o mundo da universidade as lutas sociais, proporciona o saber teórico para a militância", afirmam os coordenadores.

O encontro acontece na Cidade Universitária da UFRJ e segue até o dia 23 de julho. Esta é a terceira das quatro etapas do curso e aos portadores de diploma de nível superior será oferecido o diploma de especialização, aos demais será oferecido o certificado de curso de extensão. Entre os professores desta etapa está o professor Dorival Gonçalves Junior, da Universidade Federal do Mato Grosso, que elaborou a tese sobre o processo histórico social de mudanças na organização na indústria de eletricidade do Brasil e é um dos teóricos que contribui com o MAB na organização da campanha contra os altos preços da energia elétrica.

Seminário Internacional dos Atingidos
Nos dois primeiros dias (10 e 11 de julho) aconteceu o Seminário Internacional do Atingidos, que contou com a presença de 120 pessoas de 46 entidades nacionais e internacionais e organizações de atingidos por vários projetos, entre eles, atingidos por barragens, empresas mineradoras, extração de petróleo e gás. O seminário foi organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e pelo Núcleo de Direitos Humanos da Fase, e teve como objetivo reunir os atingidos para debater e traçar estratégias de ação frente ao atual modelo de desenvolvimento.


Fonte: Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) - www.mabnacional.org.br

12º Encontro Intereclesial - As CEBs se encontram na Amazônia

Citado pela imprensa local como o maior acontecimento religioso, social e político do ano na capital rondoniense, o 12º Intereclesial das CEBs deverá reunir em Porto Velho/RO, entre os dias 21 a 25 de julho, cerca de 3 mil delegados de 269 dioceses brasileiras, estimando-se um contingente de clérigos em torno de 380 padres e 50 bispos. Este ano, o Intereclesial tem como tema “CEBs: Ecologia e Missão” e como lema: “Do Ventre da Terra, o Grito que vem da Amazônia”.

Já está confirmada a presença de representantes de 134 comunidades indígenas e é esperada a participação de uma centena de convidados de diversos países, principalmente das nações latino-americanas. Para a comunidade rondoniense em geral, um dos destaques do encontro são as presenças já confirmadas do bispo emérito de São Félix do Araguaia/MT, Dom Pedro Casaldáliga, da ex-ministra e senadora Marina Silva (PT-AC) e da líder indígena guatemalteca Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz de 1992. De acordo com a programação do evento, entre outras ações, o trio vai protagonizar a atividade “Testemunho de Pessoas Proféticas”.

Esta é a primeira vez que a reunião será realizada na Amazônia, acentua Dom Moacir Grechi, presente em todos os Intereclesiais, desde o primeiro, em 1975. “O encontro é a oportunidade de colocarmos em pauta os temas voltados à sociedade da Amazônia, suas diversidades culturais, passando por comunidades indígenas, dentre outros. Há uma série de fatores importantes que devemos discutir neste 12º Intereclesial”, explica Dom Moacyr.

Neste sentido, conforme explica o responsável nacional pelas CEBs e bispo de Floresta/PE, Dom Adriano Ciocca, o encontro deverá debater assuntos importantes para a elaboração de novas políticas agrícolas no Brasil. “O 12º Intereclesial deverá tratar de vários assuntos, e um deles, particularmente,deverá chamar a atenção social, pois se trata de políticas agrícolas na região amazônica”, disse Dom Adriano.


Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – www.mst.org.br