CEBs buscam a juventude e o diálogo ecumênico

Ecumenismo, juventude e missão. Três pontos fundamentais para o fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base e principalmente para a jornada de trabalho em defesa da vida, da ecologia e da fé. No segundo dia de coletivas de imprensa do 12º Intereclesial os convidados abordaram estes temas como alternativas para a criação de um novo modo de ver e agir dentro da sociedade.

Cláudio Ribeiro (pastor metodista), Dom Antônio Possamai (vice-presidente da Comissão da Amazônia da CNBB) e Leila Regina (assessora do Regional Leste 2) falaram da experiência de atuar nas CEBs e de como praticar a acolhida do ecumenismo e ouvir a juventude.

Leila Regina, que atua em Minas Gerais e faz parte do movimento de juventude, destacou que é preciso saber ouvir os anseios e questionamentos dos jovens para construir um novo mundo. “Nossa missão é criar novas lideranças e renovar as ações na CEBs. É preciso educar para a vivência da fé e da luta por dias melhores e uma sociedade mais justa”, comentou.

Já dom Antônio, ao falar desta criação de novas lideranças, lembrou que as comunidades eclesiais foram sufocadas e perseguidas pelo regime militar no Brasil. “Agora é preciso educar os jovens a pensar criticamente, a ter uma visão de mundo globalizada e voltada para a defesa dos interesses sociais, pois hoje uma multidão de pessoas se organiza em volta de pensamentos consumistas e que em nada contribuem para o resgate do social”, destacou.

Já o pastor Cláudio Ribeiro falou da experiência do ecumenismo nas CEBs. Ele acredita que não há como agir e vencer desafios de forma isolada ou excludente. “As CEBs são voltadas para o social e neste campo precisamos de união. É preciso voltar as primeiras comunidades criadas no Brasil, que fundamentalmente eram ecumênicas e mesmo com várias religiões diferentes os resultados surgiam de forma impressionante. “A realidade que vivemos exige esta participação pluralista e aberta a receber a colaboração de todos. Os desafios são imensos e cada força será essencial nesta batalha por justiça social”, defendeu.

A missão de atuação das CEBs é baseada no modelo de vida em defesa da fé e da preservação da ecologia como ponto fundamental para a Amazônia. Dom Antônio destacou que o sistema de governo incentivou a migração para esta região como se aqui não houvesse povos integrados ao meio ambiente.

“Após a invasão da soja no sul e eucalipto no sudeste, o governo iniciou a dita ocupação e promoveu a derrubada da floresta amazônica. Em Rondônia, o modelo de posse da terra criou um imenso vazio no meio da mata”, lembrou dom Antônio.

A Amazônia ocupada e devastada sempre contou com líderes formados nas Comunidades Eclesiais de Base e sua atuação firme e comprometida evitou muitos danos a esta região. “Se a atuação do povo da igreja não é vista de forma explícita, é sentida de maneira concreta na certeza de que se não fossem os gritos e lutas, este cenário seria muito pior”, completou.

O papel das CEBs tem sido debatido durante este 12º Intereclesial e entre os pontos fundamentais está a defesa da vida, da fé e da ecologia. A juventude se apresenta como arma essencial para vencer desafios, aliado à experiência de líderes que na década de 60 pensaram na luta por um mundo melhor.


Fonte: www.cebs12.org.br
Foto: Hiara Ruth

CEBs rezam com os povos indígenas

Os três mil participantes do 12º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) lotaram o ginásio do SESI, em Porto Velho, na manhã desta quarta-feira, 22, para a oração da manhã que abriu o primeiro dia de atividades do evento. Conduzida pelos indígenas Guarani, do Mato Grosso do Sul, a oração foi acompanhada com atenção e fé pelo público.

“O que fizemos aqui, não foi um momento cultural, mas um ato de respeito e de espiritualidade, com Deus, no Espírito Santo”, disse, ao final da oração, o cacique da aldeia Tupã, no rio Tapajós, Flávio Silvio Rodrigues.

“Estamos aqui, indígenas da Amazônia, para dar testemunho de que também nós somos pessoas humanas”, afirmou o cacique, que condenou a perseguição contra indígenas e outros povos da Amazônia. “Sempre fomos perseguidos por causa de nossas terras. É dela que sobrevivemos. Sem nossa mãe terra, não podemos viver!”, protestou.

Muito aplaudido, Rodrigues deixou um forte testemunho da crença dos povos indígenas. “Vocês não estão aqui por acaso, mas vieram buscar vida. Só com Deus podemos viver. Nosso ritual foi neste sentido. Vamos levar o apoio de nosso pai Tupã a todos os povos”, concluiu.

Programação: Terminada a oração, os participantes do Intereclesial foram divididos em 12 grupos de 250 pessoas cada um. Os grupos passarão a tarde reunidos nas escolas da cidade debatendo o tema do dia: “Grito profético da terra e dos povos da Amazônia, símbolos da humanidade”.

Cada grupo é acompanhado por uma equipe de assessores que fazem introdução ao tema e subdivide o grupo em 12 pequenos grupos para aprofundamento das questões. A partir das 15h (16h horário de Brasília), haverá plenária com a apresentação dos trabalhos feitos nos pequenos grupos.

Às 16h (horário local) todos os participantes do Intereclesial se encontrarão para dar início a "Caminhada dos mártires", que seguirá para a capela Santo Antônio, onde haverá também uma celebração penitencial. Nesta comunidade, está sendo construída a usina hidrelétrica Santo Antônio.


Fonte: www.cebs12.org.br

Fé e alegria na celebração de abertura do 12º Encontro Intereclesial de CEBs em Porto Velho/RO

“Como irmãos e irmãs, unindo nossa voz ao grito da terra e das águas, no sopro do Espírito, declaramos aberto o 12º Intereclesial”.

Foi com estas palavras, sob o aplauso entusiasmado de uma multidão, que o arcebispo de Porto Velho (RO), dom Moacyr Grechi, declarou, solenemente, aberto o 12º Encontro Intereclesial das CEBs, maior encontro das Comunidades Eclesiais de Base que a Igreja Católica realiza no Brasil desde 1975.

A cerimônia de abertura constou de uma celebração realizada na noite desta terça-feira, 21, na praça Madeira Mamoré, na capital de Rondônia, e contou com a presença de mais de 4 mil pessoas. Nem mesmo o cansaço de dias nas estradas até chegar a Porto Velho, inclusive com ônibus quebrando no caminho, tirou o ânimo das lideranças que vieram de todos os estados do país como delegados para o encontro. No altar, indígenas, negros, seringueiros ficaram ao lado de vários bispos.

Dom Moacyr acolheu os participantes e destacou a importância do encontro debater o tema da Amazônia. “Amazônia é sempre, na história, tratada como colônia e vocês dirão a todos que a Amazônia quer ser irmã e ser tratada com dignidade”, disse recebendo a aprovação da assembleia que aplaudiu efusivamente. “Os índios devem ser respeitados, os seringueiros devem ter onde trabalhar, nossa cidade precisa ser humanizada. O grito da Amazônia repercutirá como o grito da esperança”, completou.

Fé e alegria
O ritmo da Amazônia na celebração de abertura do 12º Intereclesial das CEBs deu o tom de como será o encontro que reúne 3 mil pessoas até sábado em Porto Velho. Na assembleia, pessoas vestindo camisetas do Intereclesial, lenços no pescoço, chapéu, mochilas e faixas não pararam de cantar e dançar aguardando o início da oração, marcada também por muita música, dança e símbolos. Tudo levava as pessoas à interiorização e à meditação, mesmo em meio ao ritmo forte de flautas, tambores e outros instrumentos musicais.

Todos se emocionaram, por exemplo, ao ouvir, de velas acesas, um coro de crianças entoar “curupira”. “O dia está escurecendo, será que não vai voltar. Se ele não chegar logo, vou mandar lhe procurar, vou levar uma lamparina pra poder alumiar”, diz o canto.

Outro momento que chamou a atenção do povo foi a benção da água com a qual todos foram aspergidos. Igualmente, a bênção e distribuição de milhares de bombons, produzidos com frutas da região, emocionou a multidão.

“O 12º Encontro das CEBs começou muito bem com esta celebração que foi linda e muito participada. Este encontro é especial não só ser na Amazônia, mas também pelo que exigiu de todos que vieram aqui’, disse o arcebispo emérito da Paraíba, dom José Maria Pires.

“Vim presenciar este evento e gostei da celebração, esta harmonia de vários pensamentos, todos voltados para a mesma fé, em busca de luz e não há luz maior que tenha passado pela terra a não ser Jesus Cristo”, disse Ras Uilivan, de Porto Velho, que não é católico, e diz pertencer ao cristianismo ortodoxo da Etiópia.


Fonte: www.cebs12.org.br

Povos indígenas presentes ao 12º Intereclesial

Mais de 80 representantes dos povos indígenas de tribos, não só da Amazônia como de todo o Brasil, estão presentes ao 12º Intereclesial. Eles começaram a chegar desde a semana passada e estão alojados na Escola Municipal São Miguel, na periferia de Porto Velho.

Homens, mulheres, crianças, com corpos pintados e enfeites na cabeça, representam 38 povos diferentes e falam diversas línguas. Os que não comunicam em suas línguas ou em português se relacionam, através da linguagem do amor e do respeito. Uma sabedoria que exercitam no seu cotidiano, nas matas e nos rios, diante dos animais e das diferentes árvores, onde sempre conviveram em harmonia.

As salas de aula se transformaram em dormitórios, masculinos e femininos, mas as redes, onde a maioria prefere dormir, estão espalhadas pelas varandas e embaixo das árvores – espaço do recreio das crianças da escola.

Esta idéia de reunir os índios num mesmo espaço está sendo coordenada pelo CIMI (Conselho Missionário Indigenista) e já foi experimentada com sucesso durante o Fórum Social Mundial no início do ano, em Belém do Pará.

Na tarde de segunda feira, depois da sesta, os índios receberam um grupo de jornalistas representantes do Porantim, da revista Missões e do Verbo Divino – responsável pelo DVD do 12º Intereclesial. Uma grande roda foi formada no ambiente fresco à sombra de quatro enormes fícus.

Na parede, as faixas ilustravam o objetivo da luta dos nossos indígenas: “Não queremos construções de barragens ou rodovias próximas as nossas terras”, “Preservação sim e desenvolvimento sustentável para as próximas gerações”, “Terra, resistência, luta”.

Uma celebração iniciou com hinos e danças da caminhada e de matriz indígena. Depois as apresentações, o acolhimento com palmas carinhosas, e uma pequena mostra da arte musical de nossos irmãos indígenas: música tocadas com flautas de mais de metro, outras menores feitas com chifre de boi, outras de tamanho médio combinando a longa com a curta, além de som dos tambores a partir de troncos ocos. A celebração terminou com um solo de flauta de madeira semelhante às usadas pelos indígenas da Bolívia e do Peru.

Uma irmã do CIMI explicou que os índios que vivem nas fronteiras com os países latino americanos não reconhecem essas linhas que dividiram seus povos.

Durante todo o Intereclesial esses índios estarão participando das celebrações e dos debates, espalhados pelos 12 diferentes grupos, que receberam nomes dos rios da Amazônia. Ao lado dos quase 300 delegados de todo o Brasil, eles estarão reunidos nas escolas, sob a coordenação de 12 paróquias e igrejas de Porto Velho, para discutir os grandes temas desse encontro: “Cebs, ecologia e missão”. E mostrar com sua própria vida e história de seus povos como “do ventre da terra, pode-se ouvir o grande grito que vem da Amazônia".


Fonte: www.cebs12.org.br

Contagem regressiva para início do Intereclesial

A comunidade católica está em contagem regressiva para o início do 12° Intereclesial que começa na próxima terça-feira (21/07). Nesta sexta-feira, durante entrevista coletiva, o arcebispo de Porto Velho, dom Moacyr Grechi, falou da expectativa de receber este evento grandioso e que vem sendo preparado há quatro anos.

Dom Moacyr destacou o texto base da Campanha da Fraternidade de 2007 em que a Amazônia é colocada como fonte de vida, mas que precisa ser conhecida e cuidada para se tornar uma terra mais justa e digna para os povos que aqui residem.


O arcebispo lembrou que hoje a Amazônia é vista com aspecto folclórico ou puramente econômico. “No restante do país é impressionante o desconhecimento da realidade desta região. Alguns acreditam que aqui temos onças pelas ruas e outros só enxergam as riquezas que podem ser exploradas, como os minérios e a madeira. A realização deste evento servirá também para mostrar que temos um povo trabalhador e cidades com as mesmas condições de outras partes do país”, comentou.

Já o padre Luiz Cepp, coordenador do Secretariado do 12° Intereclesial, falou do tema e do lema. “É preciso conhecer o sentido de ecologia e se posicionar na missão. É um trabalho árduo com o intuito de apresentar propostas positivas para resolver questões que afligem os mais carentes. O Intereclesial será um momento de discutir as problemáticas da sociedade e principalmente, apontar saídas e renovar as esperanças de um mundo melhor”, destacou.

Magda Melo, da coordenação do Intereclesial, falou das ações que envolvem voluntários em toda a Arquidiocese de Porto Velho. “São milhares pessoas trabalhando diariamente por quatro anos para realizar o evento em Porto Velho. Este povo de Deus está pronto para receber com organização e alegria os mais de três mil delegados que chegarão de todas as partes do Brasil, da América Latina e Caribe”, destacou Magda Melo.


Durante o Intereclesial também será apresentada uma proposta de nova consciência e fé para que os povos que atuam nas Comunidades Eclesiais de Base tenham a missão de lutar por um mundo mais justo. “Temos o exemplo dos povos indígenas que resistem ao modo destrutivo de exploração que vem ocorrendo desde a colonização. Além disso, nós precisamos fazer uma análise detalhada das condições de vida na Amazônia e pensar em uma nova forma de ocupação”, completou.

Apesar de ser fundamentalmente uma vivência nascida na Igreja Católica, o Intereclesial tem sido um espaço ecumênico de ações. “Na celebração de encerramento teremos representantes de várias religiões. Já confirmamos a participação de mulçumanos, evangélicos, umbandistas, judeus, budistas e cristãos ortodoxos, para uma grande comunhão em defesa da paz e de um mundo melhor e mais justo para todos”, completou o padre Luiz Cepp.


Fonte: Site do 12º Intereclesial das CEBs - www.cebs12.org.br

Mensagem aos Irmãos e Irmãs no 12º das CEBs em Porto Velho (Zé Vicente)

“... quando se ouvirem os tambores da Amazônia
E as flautas-índias, nas canções do centro-oeste
E as guitarras juvenis em nossas ruas
E os berimbaus nas capoeiras desses morros!
O céu vai clarear, o mar vai ressacar,
A gente vai cantar, vai dançar, vai louvar!
Salve esse tempo de graça, salve essa festa tão linda!
Festas das Comunidades, festa do povo de Deus!”

BENDITA MEMÓRIA!
A você que venha a ler esta mensagem e vai estar em Porto Velho - Rondônia, participando do 12º Inter-eclesial das CEBs, quero em primeiro lugar, abraçar com ternura de menino e pedir que volte a ler acima, as estrofes do canto “Festa das Comunidades” que compus para o 10º encontro de Iheus-BA, em 1992. Nele expresso a alegria de fazer parte dessa Caminhada, desde os 16 anos,quando dei os primeiros passos na minha comunidade rural, no Sítio Aroeiras, na paróquia de Orós, no sertão do Ceará, convocado pelo padre Djalvo Bezerra, de saudosa memória.

Em Canindé, de 05 a 08 de julho de 1983, participei e cantei, pela primeira vez, o “Baião das Comunidades”, era o 5º Inter-eclesial, em tempos de efervescência eclesial, numa primavera de profecia e participação popular. As comunidades, proclamando aos quatro pontos do Brasil o lema: “CEBS,POVO UNIDO,SEMENTES DA NOVA SOCIEDADE”,transformado em Hino,pelo cego e tocador, Patrício, do Maranhão. No campo político, vivíamos ainda sob a ditadura militar, já dando sinais de total esgotamento, mas nem por isso, deixava de patrocinar um clima de tensões e espionagem.

Dom Aloísio Lorscheider era o arcebispo de Fortaleza, a diocese acolhedora. Frei Lucas, ofm, era o pároco em Canindé e com a Equipe local, se desdobrou para hospedar e organizar a festa com os cerca de 600 participantes. Foi o último dos pequenos encontros.

Foram dias de muitas cores, cantos,testemunhos,chapéus e sementes,como símbolos presentes em todos nós, nos espaços em todos os momentos. Até uma pequena estátua de S.Francisco de Assis, o patrono da Cidade e das Romarias, recebeu na cabeça, um chapéu de palha, presente de Pedro Casaldáliga, o bispo profeta de S.Félix do Araguaia,um dos apaixonados pelas CEBs.

Por que estou relembrando esta memória?
É que estou convencido que sem memória não se constrói história, nem pessoal e muito menos de Comunidade e de Igreja. A missão que recebi foi essa de lembrar e cantar, a memória e o sonho, passo a passo,de coração em coração,de lugar em lugar,por todos os recantos do Brasil,onde tive e terei a graça de passar.Vou cantando,sim, a nossa história feita de lutas,martírios,desafios(eu sou um sobrevivente da seca),mas também de muito encanto de fé, esperança e utopia.

Seguirei sempre inquieto, tentando sensibilizar mais e mais gente, para caminhada, onde a Arte, em todas as suas expressões,seja assumida, como Missão e Ministério na Comunidade local, mas também com maior oficialidade nas Pastorais e Organismos de nossa Igreja. Por que não? Creio que a Conferência de Aparecida, sinalizou positivamente nessa direção de ousarmos mais no anúncio da boa nova, as multidões excluídas.

UM SONHO MADURO COM SUAS QUESTÕES:
Sonho, um dia desses, em que a gente possa trazer como tema central para o Inter-eclesial, “A ARTE COMO FONTE DE VIGOR E MISSÃO NA CAMINHADA DAS CEBS”. Não será tempo de uma atenção maior e mais cuidadosa, com essa outra forma de linguagem e seus grandes temas inspiradores?

A teologia, a mística, a eclesiologia, não estão sendo autenticamente comunicadas em toda essa grandiosa enchente de poemas, cantos, danças, peças de teatro, desenhos, símbolos etc. nascidos dos corações simples, apaixonados e amadurecidos no compromisso com a sagrada causa do Reino, anunciado e inaugurado pelo Divino Artista de Nazaré?
Venho me questionando ainda: Por que nós artistas da Caminhada temos sido tão medrosos na missão de arte-vida, quando se trata de juntarmos forças para um Projeto mais comunitário,aquele mesmo ensaiado quando projetamos o MARCA – Movimento de Artistas da Caminhada, dentro do 6º Inter-eclesial, em Trindade,Goiás, no ano de 1986?

Precisamos fazer Escolas de Artes na Caminhada, para sensibilizar, capacitar, produzir, analisar, fazer circular a boa produção, com mais qualidade e investimentos,assim como já avançaram, em cheio, o Grupo de alguns companheiros e companheiras, que criaram o Ofício Divino das Comunidades e a Rede Celebra ou os Movimentos Pentecostais, Evangélicos e Católicos. Como tem ousado o MST, com suas Escolas de Formação com artes e, outras iniciativas ousadas a nível do Movimento Popular.

A quem está favorecendo essa nossa timidez? A vitalidade das Cebs,com certeza, para um novo tempo de missão, a meu ver, não o é. Nem tão pouco a Cultura da vida, da participação cidadã, da nova e urgente opção ambiental e da paz.

Por que algumas das Editoras e Meios de Comunicação confessadamente católicos têm sido tão limitados em oferecerem espaços para expressão do saber e das artes nascidas nos meios populares, nas comunidades?

Precisamos por em Rede, com mais planejamento, o que já vem sendo criado. Onde estão os acervos de nossa memória artística, fotográfica, filmada, pintada... produzida, desde o início da Caminhada? A memória histórica comunitária, não só individual, pois somos muito pessoalistas, está carente de cuidados, assim como o meio ambiente.

Os Mártires, situados (as) na suas comunidades. Os (as) Artistas, missionários (as), pastores, animadores (as), com suas comunidades de vida e testemunhos de entrega ao Reino, não merecem ter seus nomes e suas criações omitidos em nossos livros de cantos e liturgias ou apenas como citações anônimas nos livros de quem teve acesso ao patrimônio da escrita.

Esse é um sonho, meu irmão e minha irmã, não quero que seja apenas visto como queixa, embora seja entre nós mesmos que precisamos nos queixar e reclamar,quando o momento é propício,como este do 12º Inter-eclesial, feito palco e altar para a gente traduzir em palavras e atos de artes, o Grito, que vem e vai, da Amazônia e de todos os recantos e corações das Comunidades Eclesiais de Base e Movimentos Populares nesta Pátria Grande Latino-americana.

PORQUE NÃO ESTOU EM PORTO VELHO:
E quem disse que não estou?...

Em todos os Encontros que participei, no processo de preparação, seja no Nordestão, em S.Luis do Maranhão, no Dozinho, em Porto Velho em 2008, quando tivemos a alegria de um encontro de Artistas da Caminhada, com a visita de D. Moacir e da Rede Celebra e decidimos juntos:

a) que a Equipe de Animação local, com o Zé Martins, continuasse no serviço da animação do 12º, também em nosso nome;

b) decidimos que é urgente e necessário realizarmos Fóruns Periódicos de Artistas, Produtores Culturais e Comunicadores da Caminhada, indicamos até que o primeiro pudesse ser em Brasília, no final de 2009 ou em 2010, cheguei a contatar com Pedro Filho e Daniel Seidel, que comungam com a proposta;

c) assumi, em nome do Grupo de Artistas, apresentar a Paulinas-COMEP, um projeto, com músicas de vários artistas conhecidos e outras(as) mais novos(as), solicitando a retomada daquela produção de Cantos das Comunidades, que tanto bem fez a animação e celebrações da Caminhada. A resposta foi tímida, mas podemos continuar conversando e buscando novos caminhos. É a nossa missão, sobretudo quando nos pomos, como artistas e produtores, numa perspectiva comunitária e ecumênica e não somente individual ao gosto do mercado que impera atualmente.

Neste ano de 2009, vivenciei momentos lindos, sendo os três mais simbólicos, em Marataízes-ES, com as CEBs da Diocese de Cachoeiro do Itapemirim, Estado onde nasceram os inter-eclesiais na década de setenta. Em Cedro-Ce, na minha diocese natal, de Iguatu e na Festa Junina das CEbs, em Manaus-AM, no dia 27 de junho.

Acompanharei em vigília e na Romaria em Santa Cruz da Venerada, diocese de Petrolina, onde estaremos cantando, nos dias 25 e 26 de julho, festejaremos daqui do sertão do nordeste, a nossa comunhão com a celebração final do Interecelsial, nesse coração pulsando alto, desde a Amazônia.

Assim, irmãos e irmãs, com a acolhida e a coordenação pastoral de D.Moacir, com todas as equipes e famílias queridas em Porto Velho, manifesto meu carinho e o canto que o Divino Artista do Universo, me enviou a cantar com todos e todas as artistas da Caminhada: “No olhar a gente a certeza de irmãos,reinado do povo!”

Meu abraço com toda ternura:

Fortaleza- Ceará, 10 de julho de 2009

Zé Vicente
Contato: zvi@uol.com.br


Fonte: Site do 12º Intereclesial das CEBs - www.cebs12.org.br

Estréia Programa Projeto Popular na TV Educativa do Paraná

Estreiou nessa sexta-feira, dia 10, às 22h, o Programa Projeto Popular. A iniciativa é uma parceria do movimento social brasileiro com a TV Educativa do Paraná.

"Projeto Popular" é um programa produzido, elaborado, e conduzido pelos movimentos sociais brasileiros.

Debater os grandes temas da sociedade mundial, latino-americana e brasileira de forma interdisciplinar a partir do movimento social brasileiro com vistas à elaboração de um projeto popular de nação é o objetivo desse programa.

Veja os primeiros programas - às sextas-feiras (22h):

Dia 10 de julho - Antonio Carlos Spis (CMS) – em debate o papel dos movimentos sociais;

Dia 17 de julho - João Pedro Stédile (Via Campesina) – em debate a crise mundial;

Dia 24 de julho - Aldemir Caetano (FUP) – em debate o Pré-Sal;

Dia 31 de julho - Washington Uranga (mov. social argentino) – em debate a integração latino-americana;

Os programas também podem ser vistos pela internet:

http://www.aenoticias.pr.gov.br/tv-aovivo.php

ou

http://www.rtve.pr.gov.br/modules/programacao/tv_ao_vivo.php

Informações:
projetopopular@quemtv.com.br


Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - www.mst.org.br

Nordeste avança na organização da Assembleia Popular

No último fim de semana (10, 11 e 12 de julho), a Escola Estadual de Formação Paulo Freire, no assentamento Normandia, Caruaru-PE, recebeu representantes de organizações sociais de todo Nordeste para o primeiro Encontro da Assembleia Popular Nordeste. Numa iniciativa inédita no país, os movimentos sociais ali presentes definiram a prioridade de se organizarem regionalmente, tanto para formação como para agendas de luta no campo e na cidade.

A Assembleia Popular é uma iniciativa dos movimentos sociais que, no Brasil, existe desde 2005 com o objetivo de organizar, formar e mobilizar a diversidade de lutadores e lutadoras do povo em torno de um Projeto Popular para o Brasil. No Nordeste, a articulação está presente em todos os Estados, em estágios diferentes de organização. Alagoas, por exemplo, ainda está nos primeiros passos dessa construção, enquanto que a Paraíba já aglomera diversas pessoas na luta pela redução da tarifa energética.

Durante a programação, foi discutido a conjuntura do capitalismo no Nordeste, marcado pelo coronelismo (poder local ligado às oligarquias latifundiárias) e pelo atraso em relação a investimentos do Estado brasileiro. Além desse olhar crítico sobre a própria região, os participantes analisaram a conjuntura da crise econômica internacional e seus efeitos sobre a classe trabalhadora. Além disso, a forma como uma unificação poderia servir para combater essas consequencias e aproveitar o momento para massificar o Projeto Popular.

A carta final do encontro aponta para a solução dos desafios de organização ao sugerir a criação de uma secretaria operativa regional e de um coletivo responsável pela articulação em cada um dos Estados. Dentro do cenário de crise, a reunião do maior número de movimentos sociais nas linhas mais diversas de enfrentamento ao capital (ambiental, econômica, habitacional, agrária, entre outras) é estratégico para aqueles que lutam dia-a-dia pelo Poder Popular e pelo socialismo. Mais simbólico ainda, esta articulação inicial acontecer no cenário agrário de Pernambuco, marcado recentemente pela atrocidade da chacina de três assentados e dois pedreiros no assentamento Chico Mendes, em Brejo da Madre de Deus-PE.

A Assembleia Popular Nordeste é um instrumento da chamada esquerda social (aquela capilarizada nos movimentos sociais) e deve ascender as lutas em torno de pautas comuns, que atinjam a população e, por isso, garantam um “poder de convocação” das massas às ruas. Numa articulação que pretende se encontrar com uma freqüência de três meses, a comissão representativa dos Estados deve, a partir de agora, criar as condições para o avanço na formação, organização e lutas no Nordeste. Isso sinaliza para a realização do Curso Realidade Brasileira, que garantiria uma intervenção regionalizada na Assembleia Popular Nacional e o compromisso com a Jornada de Lutas contra o modelo de desenvolvimento em agosto, respectivamente.


Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - www.mst.org.br

Homenagem dos/as jovens no 12º Intereclesial das CEBs ao Pe. Gisley Azevedo

Campanha Contra os Altos Preços da Energia Elétrica - Assembleia Popular

Lutadores e lutadoras do povo!!!!

Amanhã ás 08:30h teremos uma audiência pública com a ANEEL(Agência Nacional de Energia Elétrica) para revisão tarifária extraordinária o que significa que discutiremos os ganhos de produtividade e lucro da energiza nesses últimos 04 anos, que com sabemos não são pequenos. Depois de várias mobilizações contra o aumento de 15,77% nas contas de energia , os movimentos sociais organizados prometem estar presentes nesse audiência para denunciar o abuso e descaso com que a ENERGIZA vem tratando o povo da Paraíba. Os recentes apagões, a mudança de medidores analógicos pelos digitais, contas altíssimas, a 2ª tarifa mais cara do Nordeste, não cumprimento da tarifa social e aposição arrogante do presidente da Energiza Marcelo Rocha são traços da mesma política: é melhor uma energia cara do que uma escuridão barata.

Exigimos das autoridades constituídas que tomem posição sobre o caso, e que comecemos uma ampla campanha pela reestatização da empresa, que volte para ás mãos do Estado e que a redução seja de no mínimo 20% se consideramos as altas taxas de lucro e os aumento abusivos.

Convidamos a todos/as aqueles/as que se sentem insatisfeitos com a ENERGIZA a estarem juntos nesse luta, que dá sinais de ser vitoriosa, mas que dependerá de força , organização e vigilância total daqui pra frente.


ÁGUA E ENERGIA NÃO SÃO MERCADORIAS!
O PREÇO DA LUZ É UM ROUBO!

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SUPERINTENDÊNCIA DE MEDIAÇÃO ADMINISTRATIVA SETORIAL

AVISO

Complemento ao Aviso de Audiência Pública nº. 020/2009, publicado no Diário Oficial da União do dia 05 de junho de 2009, seção 3, página 100.

O SUPERINTENDENTE DE MEDIAÇÃO ADMINISTRATIVA SETORIAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA - ANEEL, no uso da competência que lhe foi atribuída por delegação do DIRETOR-GERAL da ANEEL por meio da Portaria ANEEL n° 109, de 11 de julho de 2005, COMUNICA, em complemento às disposições contidas no supracitado Aviso de Audiência Pública, que:

a Sessão ao Vivo - Presencial da referida Audiência Pública será realizada no dia 16 de julho de 2009, das 08:30 às 12:30, no auditório Álvaro Ferreira Lima, da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (ASPLAN), situado à Rua Rodrigues de Aquino, 267, Centro, João Pessoa/PB.

Agenda da Sessão ao Vivo-Presencial do dia 16/07/2009
Horário Programação

08:30 - 09:00 Recepção e registro de expositores e participantes
09:00 - 09:10 Abertura das atividades pelo Presidente da Sessão ao Vivo-Presencial
da Audiência
09:10 - 09:30 Exposição do tema pela Superintendência de Regulação Econômica - SRE
09:30 - 09:50 Exposição do tema pela Energisa Paraíba Distribuidora de Energia S.A. - EPB
09:50 - 10:10 Exposição do tema pelo Conselho de Consumidores da EPB
10:10 - 12:30 Pronunciamento dos expositores
12:30 Encerramento

MAB realiza 3ª Etapa do Curso de Energia em convênio com a UFRJ

Desde a última sexta-feira (10 de julho), 65 estudantes do MAB e de diversos movimentos sociais de todas as regiões do Brasil, e também da Colômbia, El Salvador e Argentina, estão no Rio de Janeiro para a terceira etapa do curso de extensão e especialização "Energia e sociedade no capitalismo contemporâneo". O curso é realizado em uma parceria entre o MAB e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Os principais objetivos do curso são ampliar o acesso de integrantes de movimentos sociais ao saber científico acadêmico e contribuir para a capacitação desses militantes, aprofundando o conhecimento sobre as relações entre energia, meio ambiente e sociedade no capitalismo contemporâneo. A criação do curso inscreve-se no esforço da UFRJ de se abrir enquanto universidade aos diversos setores sociais e reitera o compromisso com movimentos sociais que lutam pela justiça social e ambiental.

A ênfase desta etapa é a preparação do trabalho de conclusão do curso, onde cada um dos alunos deverá elaborar um artigo sobre algum dos temas que perpassaram o curso. "A 3ª etapa do curso é mais um importante passo no processo de elaboração de um modelo energético popular, não somente para o Brasil, mas para toda a América Latina. Nesse contexto, a parceria entre os movimentos sociais e a universidade propicia grandes avanços, pois ao mesmo tempo em que traz para o mundo da universidade as lutas sociais, proporciona o saber teórico para a militância", afirmam os coordenadores.

O encontro acontece na Cidade Universitária da UFRJ e segue até o dia 23 de julho. Esta é a terceira das quatro etapas do curso e aos portadores de diploma de nível superior será oferecido o diploma de especialização, aos demais será oferecido o certificado de curso de extensão. Entre os professores desta etapa está o professor Dorival Gonçalves Junior, da Universidade Federal do Mato Grosso, que elaborou a tese sobre o processo histórico social de mudanças na organização na indústria de eletricidade do Brasil e é um dos teóricos que contribui com o MAB na organização da campanha contra os altos preços da energia elétrica.

Seminário Internacional dos Atingidos
Nos dois primeiros dias (10 e 11 de julho) aconteceu o Seminário Internacional do Atingidos, que contou com a presença de 120 pessoas de 46 entidades nacionais e internacionais e organizações de atingidos por vários projetos, entre eles, atingidos por barragens, empresas mineradoras, extração de petróleo e gás. O seminário foi organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e pelo Núcleo de Direitos Humanos da Fase, e teve como objetivo reunir os atingidos para debater e traçar estratégias de ação frente ao atual modelo de desenvolvimento.


Fonte: Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) - www.mabnacional.org.br

12º Encontro Intereclesial - As CEBs se encontram na Amazônia

Citado pela imprensa local como o maior acontecimento religioso, social e político do ano na capital rondoniense, o 12º Intereclesial das CEBs deverá reunir em Porto Velho/RO, entre os dias 21 a 25 de julho, cerca de 3 mil delegados de 269 dioceses brasileiras, estimando-se um contingente de clérigos em torno de 380 padres e 50 bispos. Este ano, o Intereclesial tem como tema “CEBs: Ecologia e Missão” e como lema: “Do Ventre da Terra, o Grito que vem da Amazônia”.

Já está confirmada a presença de representantes de 134 comunidades indígenas e é esperada a participação de uma centena de convidados de diversos países, principalmente das nações latino-americanas. Para a comunidade rondoniense em geral, um dos destaques do encontro são as presenças já confirmadas do bispo emérito de São Félix do Araguaia/MT, Dom Pedro Casaldáliga, da ex-ministra e senadora Marina Silva (PT-AC) e da líder indígena guatemalteca Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz de 1992. De acordo com a programação do evento, entre outras ações, o trio vai protagonizar a atividade “Testemunho de Pessoas Proféticas”.

Esta é a primeira vez que a reunião será realizada na Amazônia, acentua Dom Moacir Grechi, presente em todos os Intereclesiais, desde o primeiro, em 1975. “O encontro é a oportunidade de colocarmos em pauta os temas voltados à sociedade da Amazônia, suas diversidades culturais, passando por comunidades indígenas, dentre outros. Há uma série de fatores importantes que devemos discutir neste 12º Intereclesial”, explica Dom Moacyr.

Neste sentido, conforme explica o responsável nacional pelas CEBs e bispo de Floresta/PE, Dom Adriano Ciocca, o encontro deverá debater assuntos importantes para a elaboração de novas políticas agrícolas no Brasil. “O 12º Intereclesial deverá tratar de vários assuntos, e um deles, particularmente,deverá chamar a atenção social, pois se trata de políticas agrícolas na região amazônica”, disse Dom Adriano.


Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – www.mst.org.br

Fotos do 1º Encontro da Assembleia Popular no Nordeste



Fotos: Danielson Soares e Leandro Ferreira.

1º Encontro da Assembleia Popular no Nordeste - 09 a 12 de Julho

Aquilo que era um desejo coletivo se materializou numa proposta concreta: o 1º Encontro da Assembleia Popular no Nordeste. Coube ao povo lutador de Pernambuco ser o Estado acolhedor da proposta. Sendo o Centro de Formação Paulo Freire em Caruaru o local de entroncamento que encurtou as distâncias e os sonhos.

Embalados/as pelos ritmos da cultura popular, entre os dias 09 e 12 de julho, lutadores e lutadoras do Povo vindos/as de oito estados do Nordeste, pertencentes a mais de 30 movimentos e organizações sociais e populares, refletiram conjuntamente a Conjuntura política, sócio-ambiental e econômica da crise no Brasil e no Nordeste; O Projeto Popular e a plataforma mínima; As experiências dos estados do Nordeste; Os desafios da organização, da formação, das campanhas e lutas da Assembleia Popular; A resistência e a luta do povo através das manifestações culturais.

Ao longo das discussões, inúmeros desafios foram surgindo, a exemplo da articulação política, da construção da Assembleia Popular nos estados, da construção material e auto-sustentação, da construção coletiva e da troca permanente das experiências sociais, políticas, culturais, econômicas e espirituais.

Para o articulador da Cáritas Regional NE2 (PE, AL, PB e RN), Marcos Aurélio Bezerra, “a Assembleia Popular é um espaço de discussão e organização, que visa contribuir com a construção de um modelo político mais democrático. Participar da Assembleia Popular é assumir um compromisso, sendo uma boa oportunidade para retomar as mobilizações nas bases, visando à construção de um projeto popular de nação”, disse.

O primeiro encontro nacional da Assembleia Popular aconteceu em Brasília, de 25 a 28 de outubro de 2005, com a participação de mais de oito mil participantes de todas as regiões do país. A Assembleia elaborou o texto: “O Brasil que queremos. Assembleia Popular: Mutirão por um novo Brasil”, que serve de instrumento para o debate na construção de um Projeto Popular para o Brasil.

Enfim, se poderia dizer que o 1º Encontro da Assembleia Popular no Nordeste, resgatou e enfatizou a importância de caminhar juntos, da construção de lutas unitárias, da ligação entre as lutas locais e específicas com a luta geral, na construção do Projeto Popular para o Brasil, e no resgate da capacidade do povo de fazer política e transformar a sociedade.

Brasil, nós temos que lutar! A nossa ferramenta é Assembleia Popular!
Pátria Livre! Venceremos!


Texto: Elson Matias.

Seminário Regional de Articulação para o Grito dos/as Excluídos/as

Nos dias 04 e 05 de Julho de 2009, o Regional Nordeste 2 da CNBB, através do Setor Pastoral Social, realizou em Campina Grande/PB, um Seminário Regional, em preparação ao 15º Grito dos/as Excluídos/as.

O Seminário reuniu 40 lideranças representantes das dioceses, pastorais sociais, CEBs, e alguns movimentos e organizações sociais e populares, como as Pastorais Operária, da Criança, da Terra, dos Migrantes, Assembleia Popular, Escola de Fé e Política e Cáritas Brasileira, dos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte.

A temática discutida foi o próprio lema geral do Grito dos/as Excluídos 2009, “Vida em primeiro lugar – A força da transformação está na organização popular”, a partir dos gritos cotidianos e de uma análise de conjuntura da Crise.

Enfim, o Grito dos/as Excluídos/as será, pela 15ª, vez uma manifestação popular carregada de simbolismo, um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural, de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas, sonhos e lutas dos/as excluídos/as.

Segundo o Padre Jandeílson Alencar, articulador do Setor Pastoral Social, “Os seminários tem fortalecido o trabalho de sensibilização e mobilização nas dioceses para a apropriação de temas nacionais para o trabalho com os excluídos/as".

Grito dos/as Excluídos/as (Brasil): www.gritodosexcluidos.org


Texto: Danielson Lima e Elson Matias.

Atingidos/as pela barragem de Acauã montam novo acampamento

Após receberem da Justiça uma ordem de despejo e reintegração de posse, as 120 famílias atingidas pela barragem de Acauã montaram um novo acampamento, no dia 04 de julho, agora numa área pública que pertence à Prefeitura de Itatuba. As famílias estavam acampadas há dois meses na Fazenda Mascadi, quando cerca de 100 policiais entraram no acampamento e as expulsaram. Segundo Osvaldo Bernardo da Silva, coordenador do MAB, jagunços da fazenda aproveitaram a situação de despejo e atearam fogo nas lonas e colchões dos acampados.

“Mesmo com toda esta violência nós não desistimos. Estamos acampados novamente para exigir uma vistoria nas terras da Mascadi e novos reassentamentos para os atingidos”, afirmou Osvaldo Bernardo.

A Barragem de Acauã foi concluída em 2002 e está localizada no Rio Paraíba, entre os municípios de Aroeiras, Itatuba e Natuba. Ela ocupa uma área de 1.725 hectares e causou o deslocamento de 4,5 mil pessoas (cerca de 800 famílias) que tiravam seu sustento do rio. Os povoados foram completamente inundados. Os reassentamentos de Cajá, Melancia e Pedro Velho, são considerados pelo MAB a pior situação social das famílias reassentadas por uma barragem no país.

Em abril de 2007, a região recebeu a visita da Comissão Especial do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CNDDPH), criada para acompanhar denúncias de violações de direitos humanos decorrentes da implementação de barragens no país. O relatório divulgado pela comissão confirmou as acusações feitas pelo movimento. Leia um trecho:

"Além de não haver água tratada, esgoto, saúde, educação, lazer, moradia, segurança e acesso ao trabalho, as comunidades não têm ruas asfaltadas (ou com paralelepípedos, ou pedras outras), calçadas, e nem dispõe de praças públicas. Não existem serviços públicos regularmente estruturados, comércio local, farmácias, linhas de transporte coletivo, matadouros, hortas comunitárias, cemitérios e áreas de lazer (centros comunitários, campo de futebol, etc.). Muito menos órgãos administrativos ou representação estatal estabelecidos nesses locais".

Recentemente o MAB produziu um documentário chamado "O canto de Acauã", que relata os problemas enfrentados pelas comunidades ribeirinhas depois da construção da barragem.


Fonte: Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) – www.mabnacional.org.br

Manifestantes entregam carta ao embaixador de Honduras

Manifestantes da Via Campesina Brasil e de entidades da sociedade civil ligadas ao Fórum Nacional de Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) entregaram ao embaixador de Honduras no Brasil, Victor Lozano, uma carta em solidariedade ao povo hondurenho e em defesa da democracia do país caribenho na manhã desta terça-feira (30/06), em Brasília.

Em frente à sede da Embaixada, onde o ato teve início, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) se reuniu com o grupo e afirmou estar ao lado dos movimentos sociais brasileiros na defesa do povo de Honduras. Mais tarde, dentro da Embaixada, os manifestantes leram a carta (leia abaixo) e a entregaram a Lozano, que se emocionou e agradeceu a solidariedade brasileira. "Tenham certeza de que vamos seguir lutando para que sejam respeitados os direitos dos trabalhadores, dos camponeses e de todos aqueles hondurenhos que foram favorecidos pela política do presidente Zelaya. Contamos com a ajuda da nação brasileira nesse momento. Sou filho de camponeses, trabalho para o povo de meu país e fico muito feliz em encontrar a solidariedade de vocês aqui. Nossas portas, portanto, estão abertas para vocês", afirmou o embaixador.

Maria Costa, integrante da Via Campesina Brasil, reforçou a disposição dos manifestantes em permanecer em vigília na Embaixada até que o presidente democraticamente eleito seja reconduzido a seu posto. "Nossa preocupação é que não haja derramamento de sangue, que sejam protegidas as lideranças campesinas e que seja feita uma reunião com o Grupo do Rio, um mecanismo de consulta internacional constituído por Estados latino-americanos e caribenhos. Vamos nos organizar para ficar mobilizados até que a democracia volte a Honduras. Seremos os guardiões de seu país aqui no Brasil", garantiu. Os manifestantes permaneceram na embaixada até o fim da tarde e voltarão amanhã (01/07) ao local.

No último domingo (28/06), os hondurenhos tiveram seu presidente eleito deposto pelos militares, que deixaram em seu lugar o presidente do Legislativo, Roberto Micheletti. Em Assembleia Geral da ONU realizada nesta terça, Zelaya afirmou que pretende voltar nesta semana a seu país, acompanhado dos presidentes da Argentina e do Equador e do chefe da OEA (Organização dos Estados Americanos).

Leia a seguir a carta entregue ao embaixador Victor Lozano.


Fonte: MST - www.mst.org.br

CARTA ABERTA EMBAIXADA DE HONDURAS E SOCIEDADE

É com o sentimento de indignação que nós, organizações e movimentos sociais do Brasil abaixo assinados, recebemos a notícia de que o povo hondurenho sofreu um golpe militar a partir do sequestro do seu Presidente Manuel Zelaya na madrugada do último dia 28.

Repudiamos veementemente tal ato, pois atenta contra ao processo democrático em curso naquele país, construído à custa de muitas lutas sociais e populares por trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade que na edificação da democracia Hondurenha tombaram e tiveram suas vidas ceifadas.

A vitória do Presidente Manuel Zelaya é uma conquista de toda uma mobilização social e do fortalecimento dos trabalhadores e trabalhadoras daquele país; além disso, de fortalecimento de um governo que leva em consideração as necessidades sociais do povo.

O povo latino-americano vem assistindo e participando do processo de reconhecimento dos seus direitos, com governos progressistas e que junto com as organizações sociais vem construindo processos internacionais e continental de solidariedade - a exemplo da ALBA. Em decisão soberana, a população hondurenha iria ratificar através de plebiscito a decisão contra o retorno das oligarquias ditatoriais ao poder. Como resposta a esse processo popular, essas oligarquias golpearam duramente tal processo democrático em curso, tentando imobilizar o povo.

Esse golpe militar reacende nossa memória sobre as décadas de ditadura iniciada na década de 60 em toda América Latina. É essa memória de lutas e resistência que nos leva a reforçar e apoiar a luta do povo Hondurenho e exigir:

1) A volta imediata do presidente Manuel Zelaya ao comando do país;

2) O restabelecimento da ordem constitucional, sem o derramamento de sangue e sem repressão à população de Honduras, que exige o retorno da democracia;

3) Que seja respeitada a integridade física das lideranças sociais, inclusive a de Rafael Alegría - dirigente internacional da Via Campesina;

4) Que as autoridades garantam em pleno exercício democrático a consulta popular, como forma de livre expressão;

5) Uma reunião imediata do Grupo do Rio no Brasil para que se avalie a situação política do país.

Reafirmamos nossa solidariedade ao povo hondurenho, ao presidente Manuel Zelaya e às organizações e movimentos sociais que levam a cabo, e seguirão levando, as decisões soberanas do povo hondurenho.

Subscrevem:

Fórum Nacional da Reforma Agrária e Justiça no Campo – FNRA
Via Campesina – Brasil
Rede Brasil - Jubileu Sul
Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH
Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura – CONTAG
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar - FETRAF Brasil
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Cáritas Brasileira
Movimento das Mulheres Camponesas – MMC
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimento Democracia Direta – MDD
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Central dos Movimentos Populares – CMP
Conselho Nacional das Igrejas Cristas – CONIC
Confederação dos Trabalhadores do Serviço Publico Federal – CONDESEF
Pastorais Sociais da CNBB
Movimento Terra, Trabalho e Liberdade – MTL
Associação Brasileira de Reforma Agrária – ABRA
Associação Brasileira de ONGs – ABONG
Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa - AS-PTA
Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior - ANDES – SN
Centro de Justiça Global
Coletivo Motirõ
Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Confederação Nacional das Associações dos Servidores do INCRA – CNASI
Departamento de Estudos Socioeconômicos Rurais - DESER
ESPLAR Centro de Pesquisa e Assessoria
Federação de Órgãos para Assistência Social e Organizacional – FASE
Federação Nacional dos Trabalhadores da Assistência Técnica e do Setor Publico Agrícola do Brasil – FAZER
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB
FIAN – Brasil
FISENGE
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE
Instituto Brasileiro de Desenvolvimento - IBRADES
Instituto de Desenvolvimento e Ação Comunitária – IDACO
IECLB
IFAS
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Movimento de Libertação dos Sem Terra – MLST
Pastoral da Juventude Rural – PJR
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
RENAP
Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário – SINPAF
Terra de Direitos
TV Comunitária de Brasília
Empório do Cerrado
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB
Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos – ABRANDH
Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF
Comissão de Justiça e Paz
Grito dos Excluídos
Mutirão Nacional pela Superação da Miséria e da Fome
Movimento de Olho na Justiça


Fonte: MST - www.mst.org.br

El pueblo de Honduras no está solo! - O povo de Honduras não está só!



Fonte: Agencia Bolivariana de Noticias - www.abn.info.ve

Organizações entregam carta aberta ao consulado de Honduras, em São Paulo

Integrantes de movimentos sociais, representações sindicais e partidos políticos de esquerda, entregaram, nesta terça-feira (30/6), uma carta de repúdio ao golpe militar ocorrido em Honduras, na sede do consulado hondurenho, no bairro do Jardins, em São Paulo. O grupo foi atendido por uma representante, que ouviu a leitura de uma carta aberta com a reivindicação da volta imediata do presidente Manuel Zelaya ao comando do país.

No último domingo, os hondurenhos tiveram seu presidente eleito deposto pelos militares, que deixaram em seu lugar o presidente do Legislativo, Roberto Micheletti. O protesto teve como caráter principal o repúdio ao golpe militar pelo povo brasileiro. Os manifestantes mostraram sua indignação e prometeram que, se preciso, voltarão a pressionar os representantes do consulado para demonstrar apoio total ao povo hondurenho.

Participaram do manifesto o MST, a Via Campesina, a Conlutas, a Esquerda Marxista, CUT, MMM (Marcha Mundial das Mulheres), UNE (União Nacional dos Estudantes), Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), Força Sindical, CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Consulta Popular, PC do B, PT e PSOL.

A seguir, leia a carta entregue ao consulado:

Carta aberta ao Consulado de Honduras e ao Povo Hondurenho

É com o sentimento de indignação que nós, organizações e movimentos sociais, sindicais e estudantis do Brasil abaixo assinados, recebemos a notícia de que o povo hondurenho sofreu um golpe militar a partir do seqüestro do seu Presidente Manuel Zelaya na madrugada do último dia 28.

Repudiamos veementemente tal ato, pois atenta contra ao processo democrático em curso naquele país, construído à custa de muitas lutas sociais e populares por trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, que na edificação da democracia Hondurenha tombaram e tiveram suas vidas ceifadas.

O povo latino-americano vem assistindo e participando do processo de reconhecimento dos seus direitos, que junto com as organizações sociais, sindicais e estudantis vêm construindo processos internacionais e continental de solidariedade. Em decisão soberana, a população hondurenha iria ratificar através de plebiscito a decisão contra o retorno das oligarquias ditatoriais ao poder. Como resposta a esse processo popular, essas oligarquias golpearam duramente tal processo democrático em curso, tentando imobilizar o povo.

Esse golpe de estado reacende nossa memória sobre as décadas de ditadura iniciada na década de 60 em toda América Latina. É essa memória de lutas e resistência que nos leva a reforçar e apoiar a luta do povo Hondurenho e exigir:

1. A volta imediata do presidente Manuel Zelaya ao comando do país;

2. O restabelecimento da ordem constitucional, sem o derramamento de sangue e sem repressão à população, que exige o retorno da democracia;

3. Que seja respeitada a integridade física das lideranças sociais;

4. Que as autoridades garantam em pleno exercício democrático a consulta popular, como forma de livre expressão;

Reafirmamos nossa solidariedade ao povo hondurenho, ao presidente Manuel Zelaya e às organizações e movimentos sociais que levam a cabo - e seguirão levando - as decisões soberanas do povo hondurenho e condenamos veementemente essa ação antidemocrática.

VIA CAMPESINA,
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – MST
CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES – CUT,
MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES – MMM,
UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES – UNE,
CEBRAPAZ
FORÇA SINDICAL
UNIÃO GERAL DOS TRABALHADORES – UGT
PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE – PSOL
CENTRAL DOS TRABALHADORES DO BRASIL – CTB
CONFEDERAÇÃO SINDICAL DOS TRABALHADORES DAS AMERICAS – CSA
CONSULTA POPULAR


Fonte: MST – www.mst.org.br

“O povo hondurenho está saindo massivamente às ruas contra o golpe”

Dirigente camponês hondurenho e membro da Via Campesina, Rafael Alegría, situação no país


Rafael Alegría, dirigente camponês de Honduras e membro da Comissão Coordenação Internacional da Via Campesina, está atualmente na clandestinidade, perseguido pelo governo de fato. Em comunicação telefônica com Prensa de Frente e Alba TV, ele denuncia que o levantamento está sendo protagonizado pelas Forças Armadas, mas sustentado pela Corte Suprema e pelas forças conservadoras de oposição ao presidente democrático deposto, Manuel Zelaya Rosales.

Qual é a situação esta noite (domingo), decorrente do sequestro do presidente?
Rafael Alegría – Nessa manhã se produziu um golpe de Estado, levado adiante pelas Forças Armadas e que contou com o apoio da Corte Suprema de Justiça e o aval das forças de oposição representadas no Congresso. O presidente Zelaya foi sequestrado por integrantes do exército que irromperam encapuzados no Palácio de Governo. A chanceler Patricia Rodas também foi detida. O Parlamento, com o aval das forças conservadoras do país, declarou Roberto Micheletti, presidente do Poder Legislativo nacional, como novo presidente, contra a vontade popular.

Como o povo tem reagido?
O povo hondurenho está saindo massivamente às ruas contra o golpe de Estado, o rechaço é generalizado. Para segunda-feira, as três confederações sindicais do país, o Bloco Popular e as centrais camponesas convocaram uma greve geral. Nas mobilizações desta noite (domingo), registraram-se ataques a balas por parte das forças de segurança. A partir da meia-noite, entra em vigência o toque de recolher por 48 horas.

Soubemos que há contra o senhor uma ordem de captura, é isso mesmo?
Sim, se ditou uma ordem de captura contra mim. Atualmente, encontro-me em Tegucigalpa, participando das mobilizações populares, e pedi que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos interceda, para garantir minha liberdade e minha integridade física

Há algumas horas, difundiu-se a informação de que os militares detiveram várias representações diplomáticas de países latinoamericanos. Que informação o senhor tem sobre isso?
A informação está correta. Inclusive, a Organização dos Estados Americanos condenaram duramente o golpe, e não reconhece a Michelletti como novo presidente, ao mesmo tempo que solicita a imediata devolução do cargo a Zelaya. Em relação aos ataques diplomáticos, o embaixador da Venezuela, o da Nicarágua e o de Cuba estavam juntos à chanceler Rodas no momento em que foram sequestrados pelas Forças Armadas. Sabemos que horas depois foram libertados, mas não aconteceu o mesmo com Rodas, e ainda não sabemos onde ela se encontra. Solicitamos aos povos irmãos de toda a região que expressem seu repúdio ao golpe mobilizando-se às embaixadas de nosso país em todo o continente.


Fonte: Jornal Brasil de Fato – www.brasildefato.com.br

Comunidade internacional repudia golpe em Honduras

Presidentes de diversos países afirmaram que não reconhecerão outro governo que não o de Zelaya


Diante do golpe contra o presidente Manuel Zelaya e das perseguições ao funcionários diplomáticos no país, a comunidade internacional manifestou apoio ao presidente, rechaçando sua destituição. Presidentes de diversos países afirmaram que não reconhecerão outro governo que não o de Zelaya.

Até mesmo os Estados Unidos, ora acusados de patrocinarem o golpe, ora de demorarem a apoiar Zelaya, condenaram o golpe em Honduras. “Peço a todos os atores políticos e sociais em Honduras que respeitem as normas, o império da lei e os princípios da Carta Democrática das Américas”, afirmou em comunicado o presidente Barack Obama.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a Organização dos Estados Americanos e a Organização das Nações Unidas também expressaram repúdio ao golpe.

A CIDH defendeu a restauração da ordem democrática no país e condenou as prisões de diplomatas. Já a OEA divulgou nota em que exige o “imediato, seguro e incondicional retorno” de Zelaya ao cargo, declarando que não reconhecerá “nenhum governo que surja desta ruptura institucional”. A organização anuncia que tomará uma decisão sobre o caso na Assembléia Geral desta terça. A Organização das Nações Unidas também anunciou que tomará uma decisão sobre o caso hondurenho, em assembléia geral nesta segunda-feira.

No Brasil, o Itamaraty divulgou nota em que condena a “ação militar que resultou na retirada” do presidente hondurenho. “Ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região”, disse a nota, que defendeu que Zelaya seja “imediata e incondicionalmente reposto em suas funções”.

O governo da Bolívia também emitiu comunicado em que defende a restituição do presidente e apóia as mobilizações populares no país. “Apoiamos o povo de Honduras para que resista neste momento em defesa de sua democracia e seu direito de participar e decidir soberanamente na construção de um melhor futuro para o país”, assinala a nota.

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, também defendeu que o presidente de Honduras volte ao cargo. “Não aceitaremos outro presidente que nao seja Manuel Zelaya Rosales, eleito pelo povo hondurenho em eleições livres e democráticas”, afirmou Lugo em comunicado.

Na Nicarágua, os países pertencentes à Alternativa Bolivariana para as Américas – Venezuela, Equador, Nicarágua e Cuba – se reuniram com o presidente hondurenho.


Fonte: Jornal Brasil de Fato – www.brasildefato.com.br

Movimentos sociais realizam ato na Embaixada de Honduras no Brasil

Movimentos sociais e entidades da sociedade civil brasileiros prestam solidariedade ao povo hondurenho e repudiam o golpe militar ocorrido neste domingo em Honduras em ato em frente à Embaixada daquele país nesta terça-feira (30/06), a partir das 10h, em Brasília. Na atividade, os manifestantes entregarão ao embaixador Victor Lozano uma carta que exige o retorno imediato do presidente Manuel Zelaya ao comando do país.

"Repudiamos veementemente tal ato, pois atenta contra ao processo democrático em curso naquele país, construído à custa de muitas lutas sociais e populares por trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade que na edificação da democracia Hondurenha tombaram e tiveram suas vidas ceifadas", afirmam as entidades em trecho da carta.

O Comitê Internacional de Coordenação da Via Campesina, que reúne coordenadores internacionais de organizações camponesas de todos os continentes, reunidos nesta semana em Mali, na África, rechaçaram a ação militar hondurenha. "O governo do presidente Zelaya, que tem se caracterizado por defender os operários e camponeses, é um defensor da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba). Durante o seu mandato, ele tem promovido ações que beneficiam os camponeses hondurenhos. Acreditamos que esses fatos são ações desesperadas da oligarquia nacional, da direita e, em especial, das grandes empresas transnacionais, que pretendem preservar os seus privilégios econômicos. Para isso, utilizam a força militar e algumas instituições do país, como o Parlamento, os ministérios, a imprensa neoliberal e outros", avaliou a entidade em nota divulgada nesta segunda-feira.

A Embaixada de Honduras fica no SHIS, QI 19 Conj. 7, casa 34 - Lago Sul


Fonte: MST – www.mst.org.br

Honduras reage ao golpe militar com greve geral

Forças populares hondurenhas convocam uma greve geral no país nesta segunda-feira (29/06), após sofrer um golpe militar neste último fim de semana. O objetivo é mostrar apoio ao presidente constitucional da república, Manuel Zelaya. No último domingo, Honduras teve o presidente eleito deposto e, em seu lugar, empossaram Roberto Micheletti, presidente do Legislativo.

O presidente da federação Unitária de Trabalhadores de Honduras, Juan Carlos Barahona, afirmou em entrevista que o povo deve manter a resistência, exigindo a volta do presidente eleito em 2005. Além disso, trabalhadores de diversas organizações sindicais declararam apoio e legitimam a greve pró Zelaya.

Países da América Latina saíram em defesa de Manuel Zelaya, condenando o golpe militar. Juan Carlos Barahona, atual comandante de Honduras, condenou a mídia de seu país, a qual relacionou culpada pela oposição de outros países latino americanos ao golpe. O Presidente Luís Inácio Lula da Silva declarou que Honduras não deve aceitar qualquer outra saída que não seja a democracia.

(Com informações do Vermelho)


Fonte: MST – www.mst.org.br

Se mexerem com um, mexem com todos!

Chamado urgente dos movimentos sociais da Alba

O povo de Honduras não está só!

Neste momento o povo de Honduras, e os povos da América Latina, estão em uma batalha fundamental: evitar que se consuma o golpe de estado reacionário contra o presidente constitucional Manuel Zelaya Rosales, e o povo de Honduras.

A conspiração de políticos, militares, juízes, os meios de comunicação, com o apoio do governo dos Estados Unidos, querem reverter o passo dado pelo governo hondurenho ao integrar-se à ALBA, e evitar a convocatória que se realizaria no domingo (28/6) para aprofundar a democracia através de uma consulta popular, que possibilitaria a Reforma da Constituição.

O seqüestro do presidente constitucional é uma ação inaceitável para os povos da América Latina e do mundo, e está recebendo o rechaço inclusive da maioria dos governos, que desconhecem a decisão do grupo conspirador no Parlamento, de substituir o presidente de Honduras.

Os movimentos sociais que promovem a Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), convocam todos à mobilização desde agora, amanhã, e nos próximos dias, para que nenhum governo reconheça os títeres que as forças reacionárias querem ungir como ditadores e para que se devolva o governo às suas autoridades legítimas. Que cesse a repressão contra o povo de Honduras e suas organizações. Que se aceite a livre decisão do povo hondurenho, expressada através da consulta popular.

Honduras não está só. Hoje existe um conjunto de países que estão formando uma alternativa bolivariana junto com os movimentos sociais e existe uma comunidade internacional que rechaça o retorno das ditaduras.

Todos e Todas na Embaixada e Consulados de Honduras, amanhã nas ruas, mobilizados, com ações que construam coletivamente o "Nunca Mais" latino-americano às políticas fascistas, e o respeito às demandas dos povos.

Se mexerem com um, mexem com todos!

Movimentos Sociais da Alba


Fonte: MST - www.mst.org.br