FOTOS DO 13º ENCONTRO NACIONAL DO MST

13º ENCONTRO NACIONAL DO MST

1. Nós, mais de 1.500 trabalhadores rurais sem terra, vindos de todas as regiões do Brasil, e delegações internacionais da América Latina, Europa e Ásia, nos reunimos de 20 a 24 de janeiro de 2009 em Sarandi, no Rio Grande do Sul, para comemorar os 25 anos de lutas do MST. Avaliamos, também, nossa história e reafirmamos o compromisso com a luta pela Reforma Agrária e pelas mudanças necessárias ao nosso país.

2. Festejamos as conquistas do nosso povo ao longo desses anos, quando milhares de famílias tiveram acesso à terra; milhões de hectares foram recuperados do latifúndio; centenas de escolas foram construídas e, acima tudo, milhões de explorados do campo recuperaram a dignidade, construíram uma nova consciência e hoje caminham com altivez.

3. Reverenciamos nossos mártires que caíram nessa trajetória, abatidos pelo capital. E, lembramos dos líderes do povo brasileiro que já partiram, mas deixaram um legado de coerência e exemplo de luta.

4. Vimos como o capital, que hoje consolida num mesmo bloco as empresas industriais, comerciais e financeiras, pretende controlar nossa agricultura, nossas sementes, nossa água, a energia e a biodiversidade.

5. Nos comprometemos em garantir à terra sua verdadeira função social; cuidar das sementes e produzir alimentos sadios, de modo a proteger a saúde humana, integrando homens e mulheres a um meio-ambiente saudável e adequado a uma qualidade de vida cada vez melhor.

6. Reafirmamos nossa disposição de continuar a luta, em aliança com todos os movimentos e organizações dos trabalhadores e do povo, contra o latifúndio, o agronegócio, o capital, a dominação do Estado burguês e o imperialismo.

7. Defendemos a Reforma Agrária como uma necessidade popular, que valoriza o trabalho, a agro-ecologia, a cooperação agrícola, a agroindústria sob controle dos trabalhadores, a educação e a cultura, medidas imprescindíveis para a conquista da igualdade e da solidariedade entre os seres humanos.

8. Estamos convencidos de que somente a luta dos trabalhadores, e do povo organizado, pode nos levar às mudanças econômicas, sociais e políticas indispensáveis à efetiva emancipação dos explorados e oprimidos.

9. Reafirmamos a solidariedade internacional e o direito dos povos à soberania e à autodeterminação. Por isto, manifestamos nosso apoio a todos os que resistem e lutam contra as intervenções imperialistas, como hoje faz o povo afegão, cubano, haitiano, iraquiano e palestino.

10. Cientes de nossas tarefas e dos enormes desafios que se colocam, reafirmamos a necessidade de construir alianças com as organizações e os movimentos populares e políticos em torno de bandeiras comuns, para que, unidos e solidários, possamos construir um projeto popular, capaz de romper com a dependência e subordinação interna e externa ao capital, e de construir uma sociedade igualitária e livre – uma sociedade socialista.

Sarandi, 24 de janeiro de 2009

MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – MST

ATOS DE SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO

SOMOS TODOS/AS PALESTINOS/AS!

50 ANOS DA REVOLUÇÃO CUBANA: AVANÇAR NA CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO

ESTUDANTES DO MST EM CUBA HOMENAGEIAM O MOVIMENTO

Companheiras e companheiros do Movimento Sem Terra,

Por meio desta que é fruto de uma construção coletiva, gostaríamos de parabenizar a grande família MST pelos 25 anos de existência, pautado com muitas lutas, resistências e conquistas.

Temos acompanhado as reflexões e os preparativos para o ano de 2009 no Brasil, sabemos que por nossas condições de estudantes do MST em outro país não poderemos participar diretamente. Daí que ademais desta carta (que expressa nosso respeito e sentido de pertença a essa Organização), organizaremos também com a singeleza que nos cabe, um evento em comemoração aos 25 anos do MST e 50 anos da Revolução Cubana.

Saibam que nas escolas, nas universidades, nos hospitais e nas casas onde vivemos e trabalhamos, muitas pessoas nos admiram por nossa coragem de lutar e romper tantas cercas que nos impedem de ser livres e felizes plenamente. Admiram nosso esforço de vincular a luta pela Terra, pela Reforma Agrária e pelo socialismo no Brasil à Revolução Cubana e demais processos revolucionários em marcha na América Latina!

Dizemos que o mesmo sentimos pelo povo cubano e por todos os homens e mulheres lutadores e lutadoras! Aqui, temos aprendido o sentido de “escrever com as próprias mãos a história”; Vemos a determinação e a disposição deste povo em construir o “socialismo do século XXI” num contexto de dificuldades, de adversidades, de chantagens e pressões sofridas ao longo de 50 anos de história. A busca por sua efetiva emancipação faz com que a nossa organização se identifique com o processo revolucionário cubano. Como eles, temos nestes 25 anos resistido e buscado meios de fortalecer cotidianamente nossa luta por uma pátria autônoma e soberana!

A legítima decisão de seguir resistindo com dignidade e soberania à lógica do pensamento único, resultou neste país em significativas conquistas sociais. Destacamos, a universalização do acesso a educação e a cultura que, pelos valores internacionalistas e humanistas cultivados por este povo, se estendem para além das fronteiras da ilha cubana. Por este motivo que nós jovens do MST, somados a centenas de milhares de jovens do mundo inteiro estamos aqui. O que nos assemelha?
O desejo de nos profissionalizarmos, de intercambiar experiências político-organizativas e aspirarmos a necessária unidade Latino-Americana.

Sabemos que pelo atual contexto, muitos passos terão que ser dados, muitas combinações da pequena e grande política terão que ser feitos. Nesse momento, a nós estudantes do MST em Cuba, o desafio está em transformar os conhecimentos adquiridos em práticas concretas nos
nossos territórios, cumprindo desta maneira com a tarefa política delegada por nosso Movimento. Para isso, esperamos poder contar com todos e todas!

Por fim, estimados companheiros e estimadas companheiras, gostaríamos de reafirmar nosso compromisso com a luta do MST e com a Revolução Cubana na construção de um outro mundo.

Viva os 25 anos do MST!!!
Viva os 50 anos da Revolução Cubana!
Reforma Agrária: Por justiça social e soberania popular!!!

Atenciosamente,

Estudantes do MST em Cuba

2009: UM ANO DE MUITAS LUTAS E DE MUITAS CONQUISTAS

CEBs DO AGRESTE PERNAMBUCANO CELEBRAM 28º NATAL DAS COMUNIDADES

Pela 28ª vez, a Fundação Santuário das Comunidades Eclesiais de Base do Agreste de Pernambuco, realizou no dia 28 de dezembro o Natal das Comunidades. Reuniram-se, para uma grande confraternização natalina, cerca de 1.500 pessoas, oriundas das três Dioceses do Agreste: Caruaru, Garanhuns e Pesqueira.

A festa aconteceu na sede da Fundação, conhecida como o “Santuário das Comunidades”, lugar de formação, organização, articulação e celebração das CEBs. O tema esse ano foi: “Natal: a esperança que gente grande aprenda a ser criança”. O mesmo foi aprofundado numa novena, preparada por lideranças de nossas CEBs.

Houve apresentações culturais, com teatro, música, animação. Houve partilha de alimentos, troca de experiências no campo da saúde popular e técnicas alternativas agrícolas, feira de artesanato.

Celebramos, numa linda eucaristia, o nascimento de Jesus Cristo: Deus que se fez criança, Deus que se fez gente, Deus que armou sua tenda no nosso meio, nasceu pobre, amou o mundo, deu vida aos humildes de coração. Nasceu menino e encheu os corações de esperança, alimentando nossos sonhos de liberdade, igualdade, dignidade, justiça e paz.

Texto: Hermínia Boudens; Foto: Sandrinha Rodrigues.

LUTAS E CONQUISTAS CELEBRADAS





ASSEMBLÉIA POPULAR CELEBRA LUTAS E CONQUISTAS EM SANTA RITA-PB

Na sexta-feira, 26 de dezembro, a Assembléia Popular no Alto das Populares (Santa Rita/PB), realizou no Conjunto Nova Esperança um encontro celebrativo e místico: de confraternização e partilha das lutas e ações realizadas em 2008. Participaram do encontro os moradores e moradoras: do Nova Esperança, do Tibiri I, do Conjunto Paulo VI, do Santa Cruz e da Rua da Jaqueira; e as CEBs e o Movimento das Comunidades Populares; no total 60 (sessenta) pessoas, lutadores e lutadoras do Povo em Santa Rita.

Segundo Nalva Gomes, integrante da Assembléia Popular, “a idéia era de reunir as famílias e as lideranças que participam do processo da Assembléia Popular no Alto das Populares. Tendo em vista que a AP neste bairro foi se fortalecendo a partir do Grito dos/as Excluídos/as (setembro), da Jornada de Luta por Soberania Alimentar e Energética (outubro) e do Dia Estadual de Luta pela Tarifa Social (novembro)”, informa.

No ambiente, faixas e cartazes diversos: “O Preço da Luz é um Roubo”; “Assembléia Popular: Mutirão por um Novo Brasil”; “Vida em Primeiro Lugar: Direitos e Participação Popular”; Nos olhos, viam-se as mais de trinta fotos de lutadores e lutadoras mártires do Povo. Na mesa, bastante comida e bebida: macaxeira, cuscuz, inhame, macarrão, arroz, carne, frango, verdura, café e suco, tudo trazido pelos trabalhadores e trabalhadoras da Assembléia Popular. Nos ouvidos, belas músicas dos/as artistas paraibanos; Na boca e na vida, testemunhos de luta e de esperança, resistência viva de quem vai construindo o novo. No coração, o sentimento mais forte, de que “se não houver o amanhã, brindaremos o ontem!”.

Para a apresentação dos/as participantes, foi utilizada a mística do “Roçado das Lutas”. Cada agrupamento de pessoas se apresentava, dizendo o nome e onde mora, e diz um problema que deve ser resolvido com a luta popular: saúde, segurança, moradia, energia, trabalho, educação...; Depois cada um e cada uma plantavam as sementes dessa luta, na terra. Na esperança que germine em nossos bairros as diversas lutas e conquistas realizadas pela povo.

Depois de todos e todas se apresentarem, o grupo de Adolescentes do Nova Esperança apresentou uma peça de teatro retratando o Nascimento de Jesus de Nazaré, no contexto das lutas populares da época. Logo após, a festa esquentou com o forró pé-de-serra, com músicas de artistas paraibanos/as, e com o momento muito bonito da partilha das comidas e bebidas trazidas pelo povo.

Criada em 2005, a Assembléia Popular (AP) é uma iniciativa de um conjunto de movimentos e pastorais sociais que pretende reorganizar as lutas populares no Brasil. Além disso, também tem como objetivo possibilitar a elaboração de um Projeto Popular para o Brasil, a partir de diagnósticos e demandas locais, regionais e nacionais da população. A Assembléia Popular reflete um entendimento comum sobre a necessidade de construir alianças entre os vários movimentos e entidades populares, do campo e da cidade, em torno de temas que unifiquem os trabalhadores e trabalhadoras. Que 2009 seja um ano de muitas lutas e de muitas conquistas para a Classe Trabalhadora, engrossando o Mutirão por um Novo Brasil. Pátria Livre! Venceremos!

Texto e Fotos: Daylson Lima e Elson Matias.

CEBs DE SANTA RITA/PB CELEBRAM CONSCIÊNCIA NEGRA







Fotos: João Paulo

FOTOS DAS LUTAS DA ASSEMBLÉIA POPULAR





CAMPANHA "O PREÇO DA LUZ É UM ROUBO!" - DE ONDE VEM?

Entre os dias 12 e 16 de Outubro, a Assembléia Popular e a Via Campesina (movimentos sociais do campo), nos mobilizamos em todo o país para denunciar os altos preços dos alimentos e da energia. Para isso, foi organizado a 2ª Jornada Nacional de Lutas pela Soberania Alimentar e Energética. Essa Jornada foi realizada porque o povo está sentido que os preços dos alimentos (feijão, leite, carne...) têm subido cada vez mais, e muitas vezes não se sabe o verdadeiro motivo desses aumentos. As empresas estrangeiras estão comprando muita terra no Brasil, para plantar apenas cana-de-açúcar, soja, abacaxi e eucalipto para exportação, deixando pouca terra para que os pequenos agricultores e agricultoras plantem comida de verdade, e é por isso que existe a fome.

Mas além das terras, as empresas estrangeiras estão se apropriando da nossa água e de nossa energia. Aqui na Paraíba, a Saelpa, foi privatizada, ou seja, foi vendida para uma empresa privada chamada “Energisa”. Depois que isso aconteceu o preço da luz não parou de subir. Foi dito nas contas de energia que teríamos uma surpresa no final do mês, e o que veio foi só o nome “Energisa” e um aumento de 15,77 %! Que surpresa!

Mas existe a Tarifa Social, que é um benefício que nós, o povo, temos direito. Basta ser consumidor de 80 até 220 kW mensais, ir à Agência de Energia com xerox de RG e CPF, mais uma Auto-declaração, e a empresa deve descontar entre 10% a 60% na conta de luz. Mas, para que possamos conhecer e garantir nossos direitos, precisamos nos organizar e ir para a luta, por isso a Assembléia Popular convocou um grande Ato Público pela Soberania Alimentar e Energética.

Aqui em Santa Rita, no Conjuntos Nova Esperança, Tibiri I e Jaqueira, aconteceu o Trabalho de Base, com militantes da Via Campesina, Assembléia Popular, Comunidade Popular e CEBs Nossa Senhora da Conceição, Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora Aparecida. Os/as militantes visitaram todas as casas, porta a porta, em mais de 15 ruas, em apenas dois dias. Todo esse esforço de explicar a população, que um dia antes já havia recebido suas contas de energia altíssimas, foi refletido na realização de uma Assembléia Popular na tarde do dia 15 de Outubro com a participação de 70 (setenta) pessoas, onde foi explicado e debatido, através de vídeos, documentos e falas sobre essa luta. A divulgação também ocorreu em reuniões, encontros e celebrações durante a semana, e panfletagem e colagem de cartazes: “O Preço da Luz é um Roubo!”.

No dia 16/10, o povo que participou da conscientização no Alto das Populares, se juntou na Praça do Ginásio, e partiu num ônibus com cerca de 90 (noventa) pessoas, rumo a João Pessoa e junto com mais de 1000 (mil) pessoas nas ruas, empunhando bandeiras, contas de energia, candeeiros e velas, mostraram a força e a organização popular. O povo deu seu recado: “Água e Energia: Não são Mercadoria!”

Um mês depois, em Novembro, esperávamos que a Energisa cumprisse a lei, garantindo o desconto nas contas de energia. Mas como a perversidade e a sede de lucro é tão grande, a Energisa, ao invés de garantir o desconto, enviou num envelope bastante bonito, uma carta e uma auto-declaração diferente. Então, novamente o povo se reuniu em Assembléia Popular, juntou os documentos e realizou no dia 20/11, mobilização em Campina Grande, João Pessoa, Santa Rita e Solânea, ao mesmo tempo, para exigir o cumprimento da Tarifa Social

Em Santa Rita, o Ato foi organizando na Praça do Ginásio, com bandeiras, cartazes, estandarte do Grito dos/as Excluídos/as, batucada e maracás. Éramos 40 (quarenta) pessoas, dos Conjuntos Nova Esperança, Jaqueira e Santa Cruz, em marcha, numa única fileira, gritando palavras de ordem, agitando, cantando, dançando, e distribuindo panfletos. O povo estava bastante animado e várias vezes, por onde passamos, muitas pessoas apoiavam, batiam palmas, e prestavam bastante atenção na marcha, nas palavras de ordem, nas músicas. Percorremos um percurso extenso, mas a luta sempre vale à pena.

Quando chegamos a Energisa, todas as 60 (sessenta) pessoas, ficamos na calçada, gritando as palavras de ordem e cantando músicas, enquanto uma Comissão tentava entregar os documentos, mas o funcionário recusou-se a receber. Por fim, foi feito um Protocolo Geral, dado como recebido 143 (cento e quarenta e três) Auto-declarações.

A Energisa continua desrespeitando o povo, mas a luta contra os altos preços da energia elétrica continua! Pois dentro de nós temos a certeza de que: “Só a luta faz valer!”.

Texto: Elson Matias e Rafaela Carneiro – Fotos: Sávia Cássia.